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Planta de etanol instalada em Moçambique pode chegar a U$ 500 milhões

Uma planta de etanol instalada em Moçambique para moer 3 milhões de toneladas ano de cana-de-açúcar, considerando as etapas agrícola, industrial e de construção civil pode atingir U$ 500 milhões. A afirmação é de Cleber Guarany, coordenador de projetos da FGV Projetos, que está envolvida no acordo entre Brasil, União Européia (UE) e Moçambique, que prevê estudos conjuntos sobre o potencial do país africano para produzir biocombustíveis e alimentos, oficializada no dia 25 de fevereiro de 2011 na cidade de Maputo. O trabalho será realizado por técnicos da Fundação Getulio Vargas (FGV) e financiado pela mineradora Vale do Rio Doce. A primeira fase já iniciou e será entregue em setembro deste ano.

Guarany informa que os valores envolvidos nesse trabalho variam de acordo com o tipo de projeto. “Já um projeto para produzir biodiesel a partir do óleo de palma de capacidade de 70.000 toneladas ano ficaria em torno de U$ 120 milhões, considerando as etapas agrícola e industrial”, diz.

O objetivo da FGV é construir modelos sustentáveis que ajudem o desenvolvimento dos países situados na região tropical do planeta, o chamado “Tropical Belt”. “Essa região possui excelentes condições para produção de biocombustíveis e alimentos e paradoxalmente, é a região do mundo com maior problema de falta de energia e alimentos”, enfatiza.

O trabalho dividido em quatro etapas prevê primeiramente o estudo de viabilidade técnico, econômico e financeiro, onde são realizados os zoneamentos edafoclimático, social e ambiental para descobrir o que produzir, onde produzir e como produzir.

O coordenador de projetos da FGV Projetos explica ainda que posteriormente são criados os modelos de negócios possíveis para projetos de biocombustível e alimentos e selecionados os projetos com maior atratividade para a iniciativa privada. “Em seguida para cada projeto selecionado, é construído um Data Book que compreenderá Transferência de tecnologia, Agrícola, Industrial, Mercadológico, Social, Meio-ambiente, Financeiro e Logístico. As terceiras e quartas fases serão de Implantação e Operação (Start up)”, enfatiza.

Nos próximos meses serão um total de 2 visitas técnicas, podendo cada uma atingir até 10 dias, dependendo das condições do terreno. Paralelamente é cumprida outra agenda de reuniões com ministérios, secretarias e institutos do governo para coletar informações diversas a respeito do país.

De acordo com ele, os países têm interesse de receber know-how brasileiro na produção, organização e distribuição de biocombustíveis e alimentos. “O Brasil detém conhecimento sobre a produção de culturas tropicais para produção de biocombustíveis e alimentos que nenhum outro país do mundo possui. E a África tem interesse em viabilizar investimentos para reduzir a dependência das importações de combustíveis fósseis e alimentos, dinamizar a economia local através da geração de riqueza e distribuição de renda, criar empregos e desenvolver o setor agrícola”, lembra.

O especialista afirma que sem dúvida, Moçambique tem potencial para produção de cana e de etanol e biodiesel, inclusive já produz cana e tem terras aptas para produção de grãos muito similares com o cerrado brasileiro, como soja e o girassol que poderiam ser aproveitadas para produção de óleo para biodiesel e farelo destinados à produção de proteína animal.

Segundo Guarany a FGV Projetos, conjuntamente com a GV Agro, tem se empenhado em desenvolver modelos sustentáveis de produção de biocombustíveis e alimentos no Brasil e nos países localizados na região tropical do planeta desde 2006. “Como uma das principais Think Thanks do mundo, entendemos que esses projetos são uma poderosa ferramenta para alavancar economias, principalmente no que tange a geração de riqueza e distribuição de renda”.

Além do corpo técnico altamente especializado e com larga experiência na América Latina e África, mantém ainda uma cooperação com algumas entidades nacionais e internacionais, como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a UNEP (United Nation Environmental Program), que garante a aplicação das melhores práticas para o desenvolvimento dos projetos.

O país africano deve aprovar em 2011 uma lei que obriga à mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no óleo diesel.

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