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PIB deve revelar investimento em queda

Os dados do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre do ano, que serão divulgados hoje, ainda não devem mostrar todo o impacto da alta dos juros sobre o crescimento da economia -que deve ter desaceleração moderada- segundo economistas de bancos e de consultorias ouvidos pela Folha.

As projeções dos analistas indicam que o maior efeito da política monetária, no período, deverá recair sobre os investimentos que deram uma brecada forte: as estimativas vão de crescimento zero a 0,5%. “O maior impacto da alta dos juros na economia deverá ocorrer no segundo semestre, se o Banco Central não afrouxar a política até lá”, diz Joel Bogdanski, economista do banco Itaú. “E não creio que ele afrouxe.”

O primeiro trimestre do ano não sofreu todo o impacto da elevação dos juros -que começaram a subir em setembro do ano passado-, pois os economistas estimam que os efeitos reais do aperto monetário começam a se manifestar de seis a nove meses depois do início da alta.

O investimento pode ser exceção porque, mais do que dos juros correntes, ele depende das decisões dos empresários. Assim, se o empresariado avalia que os juros mais altos nos próximos meses vão brecar demais a economia, eles preferem engavetar projetos e esperar por tempos melhores. “Os juros ainda não tiveram um impacto pleno, mas há o efeito na confiança [dos empresários], que ocorre com mais velocidade”, diz Guilherme Maia, analista da Tendências Consultoria.

Maia espera que os números anunciados hoje revelem uma expansão de 0,4% em relação ao último trimestre de 2004. O setor externo -com altas ainda fortes das exportações- deve contribuir com parte importante do crescimento, ao passo que o investimento e o consumo das famílias devem mostrar acomodação frente aos bons resultados dos trimestres anteriores, avalia o analista da Tendências.

O Itaú projeta uma expansão de 0,2% no PIB do primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre do ano passado – é a projeção mais pessimista, em linha com os 2,9% esperados para o ano.

A estimativa do Unibanco é de uma expansão de 0,3% do PIB no trimestre, com o setor de serviço crescendo 0,5% e compensando a desaceleração da indústria (+0,2%) e a queda da agricultura (-0,5%). “A agricultura deverá sofrer com a quebra da safra no Rio Grande do Sul”, diz Giovanna Rocca, economista do Unibanco. O banco projeta uma expansão de 0,5% nos investimentos no período, dando continuidade à desaceleração iniciada no quarto trimestre de 2004.

Francisco Pessoa, da LCA Consultores, prevê que o PIB deve ter crescido 0,6% nos três primeiros meses do ano, se comparados ao trimestre anterior. Resultado, diz ele, que não mostra uma desaceleração tão forte já no início do ano. “Existe uma desaceleração, mas ela não é tão grande assim”. O que preocupa, diz o economista, são os resultados dos próximos meses. “Estamos desacelerando no pior momento possível, em cenário com previsão de queda dos investimentos e [do ritmo] das exportações”, avalia.

Já a MS Consult trabalha com um cenário de uma desaceleração mais moderada da economia: segundo seus analistas, no primeiro trimestre o PIB deverá apresentar crescimento de 0,8% em relação ao quarto trimestre de 2004. “O que deve puxar esse indicador é o comportamento do setor agropecuário que deve crescer 2,9%”, observa Jorge Simino, diretor da consultoria.

Ele considera que, apesar da quebra da safra de verão, as culturas perenes ( que não são de plantio anual) como café e cana de açúcar devem ter forte crescimento. Já a produção industrial deve ter um recuo de 0,4% – uma queda pequena que revela acomodação, segundo Simino- e o setor de serviços deve crescer 0,9%.

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