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Petróleo está acabando rápido, dizem especialistas

Para especialistas, produção mundial está perto do máximo

Se você acha que o preço do petróleo está alto a US$ 40 o barril, espere até que ele atinja quatro vezes esse patamar.

Como você vai pagar para encher o tanque do seu carro? Quanto vai subir o preço dos alimentos transportados por automóveis?

Como nós vamos pagar por plástico, vôos baratos e crescimento econômico eterno? A resposta é: não vamos.

Essa é a mensagem da Aspo, sigla em inglês para Associação para o Estudo da Produção Máxima de Petróleo, numa tradução livre, que se reuniu recentemente em Berlim, a capital da Alemanha.

Alta

O grupo de executivos, geólogos, investidores e acadêmicos já está há alguns anos alertando o mundo para a alta no preço do petróleo e a queda na produção.

Eles estão unidos por uma idéia, a de que a produção mundial está perto de chegar a seu máximo, o que vai significar o fim permanente do petróleo barato.

E eles alertam que essa é a base do atual aumento nos preços.

“O petróleo está muito barato no momento”, disse Matthew Simmons, um investidor na área de energia.

“Eu prevejo US$ 182 o barril. Nós precisamos estabelecer preços realistas para controlar a demanda de petróleo. Isso porque a produção mundial está chegando ao máximo”, afirmou.

Para Ali Bakhtiari, diretor de planejamento estratégico da Empresa Nacional de Petróleo do Irã, não haverá mudanças repentinas, mas muitas pessoas podem ser atingidas se houver uma crise.

“As pessoas menos afetadas serão os muito pobres, que já não têm acesso à energia, e os super-ricos, que não se importam se o petróleo chegar a US$ 100 o barril”, disse.

“Quem está no meio é que vai sentir mais. Quando a crise chegar, haverá grandes mudanças”, acrescentou.

Reservas falsas

Boa parte das previsões da Aspo vem de cálculos feitos por Colin Campbell, ex-vice-presidente da multinacional Total-Fina.

Seu trabalho sobre reservas de petróleo já indica há tempos que muitos dados oficiais sobre petróleo são falhos, na melhor das hipóteses, ou mentirosos.

Escândalos como o das reservas falsas da Shell ameaçam a segurança do suprimento de energia tanto quanto bombas nos oleodutos.

A conclusão de Campbell é: a produção e o consumo de petróleo deveriam ser regulados por governos.

“Muitos números relativos a reservas são altamente questionáveis”, disse.

“A maneira de aumentar a segurança do suprimento é reduzir a demanda”, afirmou.

Alguns números recentes tendem a confirmar as previsões da Aspo.

A produção do Mar do Norte está diminuindo a uma taxa cada vez maior, depois de ter atingido seu auge em 1999.

E o número de novos campos de petróleo importantes descobertos em todo o mundo caiu a zero pela primeira vez em 2003, apesar de uma melhora óbvia na tecnologia.

Empresas como a British Petroleum e a Esso e a Agência Internacional de Energia estão prestando atenção às previsões da Aspo, apesar de não concordarem com elas.

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