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Petróleo, açúcar e ferro concentram vendas ao país

Petróleo bruto, açúcar e minério de ferro. Os três produtos, somados, representaram 78% dos US$ 5,6 bilhões que o Brasil exportou à Índia no ano passado, ajudando a construir o superávit de US$ 534 milhões registrado com o país asiático. No entanto, essa concentração da pauta traz volatilidade ao resultado do comércio exterior total com os indianos, que em 2012 registrou déficit de US$ 2,8 bilhões e, neste ano, computa entre janeiro e fevereiro saldo negativo de US$ 558 milhões.

Só em petróleo, o Brasil vendeu em 2012 US$ 3,4 bilhões, o dobro do que o registrado um ano antes. Na mesma comparação de períodos, dessa vez com o açúcar, o montante exportado quadruplicou (US$ 500 milhões). Porém, o Brasil entrou neste ano vendendo bem menos petróleo (US$ 217 milhões entre janeiro e fevereiro ante US$ 690 milhões no mesmo período do ano passado), o que derrubou as exportações totais no primeiro bimestre, que regrediram de US$ 1 bilhão para US$ 446 milhões. Mesmo assim, o produto segue como o de maior peso na pauta de exportação ao país asiático.

As importações brasileiras da Índia aumentaram no início deste ano. Principal produto comprado, a gasolina das refinarias indianas passou de US$ 480 milhões no primeiro bimestre de 2012 para US$ 535 milhões neste ano. Na pauta do ano passado, o derivado de petróleo também teve o maior peso (US$ 2,2 bilhões), apesar de encolher 35% em relação a 2011. Assim, o total da importação brasileira da Índia recuou US$ 1 bilhão de 2011 para o ano passado e ficou em US$ 5 bilhões.

Diferentemente das exportações, as importações são menos concentradas. Também no ano passado, três quartos das compras brasileiras foram preenchidas, nesta ordem de peso, por derivados de petróleo, produtos químicos orgânicos, máquinas e aparelhos mecânicos, têxteis sintéticos, farmacêuticos e máquinas e aparelhos elétricos.

A demanda indiana por produtos brasileiros possui dois motores principais, na visão de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). A primeira é suprir a demanda do mercado interno e a segunda é agregar valor para a exportação, como no caso do petróleo, que vira combustível, e o açúcar, que é comprado em forma bruta e depois refinado.

Um acordo comercial entre os países passa por temas sensíveis, como salvaguardas que a Índia coloca a produtos agrícolas, principalmente açúcar e soja – o país só permite a entrada do grão beneficiado, para proteger os produtores locais. Já com o açúcar, a Índia, maior produtora mundial, aumentou a importação do produto brasileiro ano passado em função de uma quebra de safra.

Assim, o horizonte para este ano de estabilidade da corrente comercial em cerca de US$ 10 bilhões, na análise de Roberto Paranhos, presidente da Câmara de Comércio Brasil Índia, com as exportações permanecendo “altamente concentradas.” Para tentar dar uma base mais sólida às vendas brasileiras, há discussões na câmara para que empresas dos ramos de defesa nacional e de construção civil, façam negócios com os indianos.

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