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Petrobras quer ser vanguarda do processo

O crescimento do consumo de energia de fontes renováveis é uma tendência mundial. Para 2030, a projeção da Agência Internacional de Energia (AIE) é que o consumo de energias renováveis cresça a um ritmo médio anual de 6,6%, acima das projeções de crescimento do consumo de energia gerada por fontes primárias como o petróleo e o carvão. Com isso, os motores movidos a etanol representarão entre 10% e 15% da frota de veículos leves. Mesmo partindo de uma base pequena, as fontes renováveis de energia passam, portanto, a ser uma realidade. E as empresas de petróleo, que hoje têm na exploração, produção e transporte do óleo e seus derivados querem continuar sendo as principais supridoras de combustíveis do planeta, não importando se forem originários de hidrocarbonetos, vegetais ou da gordura animal. É assim que o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, começa a explicar o posicionamento da companhia no segmento de bioenergia.

“A indústria de petróleo precisa se posicionar porque isso vai afetar o nosso mercado. O Brasil já tem uma posição de vanguarda nesse processo, tanto no lado do consumo, que é muito acima da média mundial com o uso do etanol e biocombustíveis, como da produção. Hoje, já temos no país 40% do mercado de gasolinas ocupado pelo gás natural veicular e o etanol, e em 2020 a participação deles no mercado será de 50%”, afirma.

A Petrobras é o maior comprador de álcool do país, por meio da BR Distribuidora. Mas não é só. A companhia desenvolve tecnologia própria para produção de biodiesel em duas plantas construídas em Guamaré (RN), e está construindo três usinas para produção de biodiesel de múltiplas fontes em Candeiras (BA), Montes Claros (MG) e Quixadá (CE). “Vamos poder usar óleo de soja, caroço de mamona, óleo de mamona e gordura animal. Essas usinas vão começar a operar no início do próximo ano, e no final de 2008 esperamos que nosso desenvolvimento tecnológico já tenha alcançado um estágio tal que possamos introduzir nossa tecnologia. Pretendemos ser vanguarda”, diz Gabrielli.

Paralelamente, a companhia desenvolveu o H-Bio, uma tecnologia de processo para produção industrial de diesel mineral. Com tantos projetos, é importante para a companhia ter vários supridores de sementes e óleos vegetais para garantir a produção e as exportações.

Não por acaso, as usinas em Minas, Ceará e Bahia terão uma política especial para aumentar a competitividade dos fornecedores de agricultura familiar, explica Gabrielli. “O óleo vegetal é um oligopólio mundial e temos que criar uma nova cadeia produtiva, no estilo do Prominp, para introduzir o óleo vegetal na agricultura familiar. Ela vai precisar ter competitividade com a agroindústria”, explica, referindo-se ao Programa Nacional de Mobilização da Indústria do Petróleo.

No álcool, a estatal já tem a maior logística de distribuição do país e o maior sistema adaptável para a logística de transporte de para exportação, enumera Gabrielli. “Temos a vantagem de entrar nesse mercado tendo sinergias com o nosso sistema. E queremos ser viabilizadores da exportação de etanol. Temos possibilidade de fazer contratos (de exportação) pela respeitabilidade e pela avaliação do risco Petrobras, que garantem a possibilidade de venda para mercados como o do Japão”, diz ele.

É de olho no bilionário mercado japonês que a Petrobras firmou parcerias com o conglomerado Mitsui em duas frentes: construção de até 40 usinas de álcool voltadas para aquele mercado e a construção de um alcoolduto de Goiás até o terminal de São Sebastião, em São Paulo, atravessando Minas Gerais e o Mato Grosso do Sul.

O executivo explica que o objetivo da Petrobras e da Mitsui é ter os usineiros como sócios majoritários em usinas que serão projetadas exclusivamente para a produção de álcool (para evitar a produção de açúcar quando o preço desse insumo estiver mais alto que o do álcool). Essas plantas terão auto-suficiência energética. Vão usar bagaço-de-cana para produzir energia e toda a frota de veículos será movida a álcool. “A nossa presença só tem sentido para garantir a oferta”, frisa o presidente da Petrobras.

O diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Almir Barbassa, complementa: “Nossa presença como sócios nessas usinas é necessária para garantir a governança, a qualidade e para que o produto seja realmente verde, produzido com respeito ao ambiente e aos empregados. Isso é importante para que o usuário se credite a créditos de carbono. Por isso é preciso ter na origem um tipo de álcool certificado”, explica Barbassa. E Gabrielli acrescenta: “Temos que regular as funções sociais. Não pode ter trabalho infantil e nem trabalho escravo. A Petrobras vai viabilizar isso”.

Questionado sobre o tempo e esforço que as novas parcerias podem demandar, Barbassa é incisivo. “Estamos trabalhando um seguro-garantia, onde um terceiro vai garantir a implementação de todo o sistema. Não temos condições de estar supervisionando 40 usinas pelo Brasil, vendo se plantou a cana, se arou a terra e se colheu. Existem instituições que já trabalham no setor agrícola”, explica o diretor financeiro. “A governança é exatamente para isso, para que a usina tenha gestão responsável e um sistema de preço que permita ter rentabilidade. Até porque na ponta consumidora ninguém quer correr o risco de ser desabastecido porque o produtor quebrou”.

Até 2011, estão previstos investimentos de US$ 340 milhões para desenvolver a infra-estrutura de exportação de álcool. Outros US$ 340 milhões estão destinados ao desenvolvimento de projetos de novas fontes de energia, como biodiesel, energia eólica, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e energia solar. O presidente da Petrobras lembra que o país tem vantagens no álcool porque é o maior produtor de etanol de cana-de-açúcar do mundo, o processo com maior rendimento à produção.

“A ameaça que nós temos é o desafio da lignocelulose, um processo enzimático de produzir etanol a partir da celulose”, afirma Gabrielli. E a companhia já está pesquisando a lignocelulose (ou etanol lignocelulósico) em laboratórios do seu Centro de Pesquisas (Cenpes).

A lignocelulse promete amplas possibilidades de produção de etanol a partir de bagaço-de-cana, cascas, grama e a partir de outras matérias-primas. Gabrielli diz que é preciso correr porque “centenas” de projetos estão sendo desenvolvidos ao redor do mundo. “Ainda assim, provavelmente a cana deve ser a melhor fonte dessa nova tecnologia.”, afirma.

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