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Petrobrás quer se tornar a maior produtora de etanol do País até 2015

A Petrobrás pretende assumir, a partir de 2015, a posição de maior produtora de etanol do Brasil. Segundo o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, a estratégia é elevar a participação da empresa no mercado nacional do combustível para 12% nestes quatro anos.

“No ano passado, 51% do mercado brasileiro de combustíveis era de etanol. Como é que a maior produtora de gasolina vai ficar longe desse mercado?”, disse Gabrielli. “Temos de aumentar a produção de todos os combustíveis, e por isso estamos fazendo aquisições de plantas de etanol”, completou.

Atualmente, a Petrobrás detém 5,3% de participação no mercado de etanol, e atua em parceria com empresas como Guarani, São Martinho e Total. A Raízen (joint venture entre a Cosan e a Shell), líder de mercado, tem uma fatia de 7%.

O plano de investimentos da estatal, aprovado na semana passada, prevê investimentos de US$ 4,1 bilhões em biocombustíveis, dos quais US$ 1,9 bilhão serão voltados para a produção de etanol, via aquisição de participações em usinas e construção de novas plantas. “Claro que o álcool é rentável, os usineiros estão dominando o Brasil há 450 anos”, brincou Gabrielli.

Desejo. Além do aspecto financeiro, a decisão também vai de encontro ao desejo do governo de aumentar a produção do combustível, que vem passando por crises de escassez ano após ano durante o período de entressafra da cana-de-açúcar.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, havia dito ainda em maio, após reunião com a presidente Dilma Rousseff sobre o tema, que a Petrobrás deveria triplicar sua fatia de mercado na produção de etanol nos próximos anos.

Mas os investimentos da empresa no biocombustível não estarão restritos ao Brasil. Gabrielli adiantou ontem que a Petrobrás pretende começar a fabricar em escala industrial o chamado etanol de segunda geração – mais eficiente, e patenteado pela companhia – até 2015, nos Estados Unidos. De acordo com o executivo, os testes em laboratório estão sendo concluídos naquele país, mas a produção em maior quantidade ainda demandará algum tempo.

Autossuficiência. Gabrielli afirmou ainda que o Brasil deverá se tornar autossuficiente na produção de óleo diesel – combustível mais rentável para a companhia – também até 2015. Para ele, porém, a autossuficiência na produção de gasolina só virá em 2018 ou 2019. Até lá, a companhia continuará importando o combustível para dar conta da crescente demanda no País.

Segundo ele, as refinarias da empresa – que detém a totalidade da produção brasileira – estão operando praticamente no limite, a 92% da capacidade instalada. “A demanda por gasolina cresceu 19% em 2010 e este ano já aumentou 7%. Está crescendo mais do que o PIB”, disse.

Para Gabrielli, o estrangulamento da produção é uma das “boas dores do crescimento econômico”. De acordo com o executivo, os estoques de combustível estão em níveis adequados, mas, de qualquer forma, o consumidor não é afetado pela importação.

Outro foco da companhia para os próximos anos será a expansão da produção de fertilizantes nitrogenados, garantindo demanda para o gás natural explorado pela empresa. Gabrielli, porém, evitou comentar as negociações da empresa com a Vale a respeito da produção de potássio em Sergipe.

“Não podemos falar de negociações potenciais, mas estamos fazendo três plantas de produção de ureia e amônia, que vão levar o Brasil a ser autossuficiente em amônia em 2015 e reduzir pela metade a importação de ureia no mesmo ano”, afirmou, citando empreendimentos nos Estados de Mato Grosso, Minas Gerais e Espírito Santo.

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