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Perspectiva para 2004 é animadora

Os canaviais do Brasil receberam nos últimos quatro anos pesados investimentos – fruto da capitalização do setor sucroalcooleiro, com a recuperação dos preços do açúcar no mercado internacional, sobretudo entre as safras 2000/01 e 2002/03. O movimento de fusões e aquisições das usinas foi intenso no período, com mais de 30 operações desde 2000, o que permitiu a entrada do capital estrangeiro no setor. Para 2004, as perspectivas são igualmente animadoras, com os investimentos concentrados no álcool, mesmo com a retração da commodity na bolsa de Nova York.

Foram os franceses os primeiros que desembarcaram no país, a partir de 2000, com maior apetite comprador. Os investimentos no setor começaram com mais ênfase, a partir de 2000, ano em que os preços do açúcar começavam a ganhar fôlego depois de um período de crise no mercado internacional. Endividadas na época, as usinas brasileiras foram alvo fácil das empresas internacionais, atraídas pelos baixos custos de produção do país.

O grupo Louis Dreyfus entrou no mercado de açúcar no país com a compra da usina Cresciumal (SP), em 2000. Hoje também é proprietário da usina Luciânia (MG), adquirida dois anos depois. O grupo Béghin-Say, o segundo maior da Europa, marcou sua entrada no mercado brasileiro com a compra da Açúcar Guarani (SP), com duas usinas no Estado de São Paulo, consideradas as mais capitalizadas na época.

No mercado doméstico, as negociações também foram intensas. A capitalização das usinas fortaleceu grupos como Cosan e J. Pessoa, que aumentaram seu portfólio de empresas em um momento de fragilidade de algumas companhias.

Com 13 usinas no país, a última adquirida em janeiro, o Grupo Cosan está entre as três maiores companhias de açúcar do mundo. O empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do grupo, investiu cerca de US$ 200 milhões desde 2000, com a aquisição de cinco usinas. A mais importante aquisição foi a Usina da Barra, de Barra Bonita (SP), que possibilitou ao grupo sua entrada pesada no varejo.

Desde o final do ano passado, o grupo está se reorganizando para abrir capital. Com um faturamento de quase R$ 2 bilhões, a empresa quer atrair investidores estrangeiros para expandir seus domínios no exterior. Em 2000, o grupo se aliou com a Béghin-Say, uma das maiores companhias de açúcar do mundo, e a trading Sucden, para a criação da FBA (Franco-Brasileira Açúcar e Álcool S/A). O negócio possibilitou gestão compartilhada com as usinas Santo Antônio, Univalem e Ipaussu, todas em São Paulo.

O empresário José Pessoa de Queiroz Bisneto, presidente do J. Pessoa, não ficou atrás. Dobrou o tamanho do grupo nos últimos cinco anos, em um investimento de mais de US$ 100 milhões. Hoje, são dez usinas, o dobro de 1999, quando o grupo – de origem nordestina – contava com cinco usinas. A usina Benálcool foi um pontapé inicial para a expansão do grupo e uma das principais aquisições do empresário em São Paulo. “A Santa Cruz, no Rio de Janeiro, adquirida em 2002, também foi uma negociação importante”, lembra o empresário. Com a compra da Santa Cruz, o grupo J. Pessoa deu início à sua participação no varejo carioca. Pessoa lembra que o talento do grupo é para o álcool, onde ainda busca novas e boas oportunidades. “Fizemos investimentos pensados para o álcool nos últimos anos, que nos ajudou a crescer em açúcar”, diz.

Com os processos de concentração nos últimos anos, o parque industrial brasileiro ganhou status internacional, como um dos mais modernos do mundo. É no Brasil que os asiáticos buscam know-how para levantar destilarias de álcool na China, Índia e até no Japão.

Segundo João Carlos Figueiredo Ferraz, presidente da Crystalsev, empresa que comercializa a produção de açúcar de oito usinas de São Paulo, o Brasil possui uma capacidade ociosa de quase 2 bilhões de litros de álcool. A capacidade de produção atual é de quase 16 bilhões para uma produção de 14,5 bilhões de litros.

Mesmo as perspectivas menos otimistas para os preços internacionais do açúcar – observadas a partir do final de 2003, com a desvalorização da commodity na bolsa de Nova York – incluem ótimas oportunidades para se “vender” o álcool brasileiro, segundo Ferraz. “Temos o álcool mais barato e competitivo do mundo, o que atrai interesse de players internacionais”, afirma. Para Ferraz, o Brasil ainda tem espaço para investimentos industriais. “O desafio agora é encontrar mercado para vender o nosso produto.”

O potencial para o álcool no exterior, com o crescente interesse dos países asiáticos e europeus pelo combustível renovável, ainda incentiva investimentos no país. Em Minas Gerais, as usinas estimam investimentos de US$ 212 milhões em novas usinas até 2007, segundo Luiz Custódio Cotta Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Minas Gerais. Segundo Cotta, os grupos alagoanos, instalados no Estado, como os grupos Carlos Lyra, João Lyra e Tércio Wanderley, são os principais investidores. O Estado tem seis projetos de construção de usinas de açúcar e álcool, dos quais três são tocados por grupos do Nordeste. “Há outros três projetos paulistas ainda que não saíram do papel.”

As regiões Oeste e Noroeste de São Paulo vão receber até R$ 1 bilhão em investimentos para a construção de novos parques industriais, calcula a União das Destilarias do Oeste Paulista (Udop). Os recursos estão sendo aplicados na reativação de quatro usinas de açúcar e álcool e na construção de outras seis. O país conta com cerca de 320 usinas em todo país, das quais 220 no Centro-Sul do país. Em quase 30 anos, os canaviais do país aumentaram em 30% sua produtividade.

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