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Para CNI, ´desempenho morno´ deve persistir

A indústria teve um crescimento moderado no segundo trimestre deste ano e o desempenho morno deverá prosseguir no terceiro trimestre, segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A dinamização do setor deve continuar, mas o quadro não deve mudar muito, avaliou o economista-chefe da entidade, Flávio Castelo Branco.

Nem o impulso extra da eleição, que dinamiza o mercado interno, altera essa perspectiva.

Castelo Branco lembrou que as eleições levam a um aumento das contratações temporárias de pessoas para trabalhar nas campanhas, elevando a renda e o consumo das famílias. O economista destacou, no entanto, que outros fatores continuam inibindo um nível mais forte da atividade industrial. É o caso do câmbio desfavorável às exportações. O crescimento moderado da indústria no primeiro semestre dá um sentimento de que a economia não consegue entrar em um ritmo mais forte e não se espraia para as pequenas e médias empresas, afirmou.

Segundo os dados divulgados ontem pela CNI, referentes ao segundo trimestre do ano, as vendas da indústria de transformação tiveram uma variação positiva pelo terceiro trimestre consecutivo. Elas avançaram 0,39% em relação ao trimestre anterior.

O número de horas trabalhadas, que mede a produção industrial, ampliou-se 1,88% no período. De acordo com a CNI, é um crescimento relevante não só pela intensidade, mas também porque interrompe uma seqüência de três trimestres em queda.

O economista da CNI, Paulo Mol, destacou que o importante é que a elevação das horas trabalhadas não gerou um aumento relevante na utilização da capacidade instalada da indústria, o que poderia provocar um gargalo na produção em caso de aumento forte da demanda.

O índice de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação em junho atingiu 82,3%, já descontados os efeitos sazonais.

A grande surpresa, no entanto, ficou para o desempenho do emprego industrial. No segundo trimestre, houve um crescimento de 1,03% ante ao primeiro trimestre de 2006, o que significa um ritmo de expansão semelhante ao observado no final de 2004 e início de 2005, quando o emprego expandia-se a uma taxa superior a 4% ao ano.

DIFERENÇAS

O economista ressaltou também que o crescimento entre os setores ainda é muito heterogêneo. Setores afetados pelo câmbio e que têm perfil de pequenas e médias empresas estão tendo mais problemas porque, além de perderem espaço no mercado externo, estão enfrentando a concorrência das importações no mercado interno.

Citou, como exemplo, os setores moveleiro, calçados e têxteis, que têm apresentado quedas na produção e nas vendas muito profundas.

Por outro lado, setores com perfil de grandes empresas e mais ligados à economia internacional estão indo muito bem, como os setores sucroalcooleiro, de refino de petróleo e de extrativismo mineral.

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