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Onze unidades tiveram falência decretada

Antiga Usina Campestre, de Penápolis, foi vendida ao Grupo Clealco em 2013
Antiga Usina Campestre, de Penápolis, foi vendida ao Grupo Clealco em 2013

Não há levantamentos oficiais, mas o mercado estima que, desde 2008, onze unidades em recuperação judicial tenham tido a falência decretada pela Justiça por não estarem conseguindo manter a operação e cumprir o plano de pagamento dos credores. São elas a Companhia Albertina, de São Paulo, as cinco usinas da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool (CBAA), do grupo J. Pessoa e as cinco unidades do grupo alagoano João Lyra.

A usina Campestre, de Penápolis (SP), também saiu da recuperação judicial, mas seu destino foi diferente. Em 2013, a empresa foi vendida para pagar os credores, e seus ativos (indústria e contratos de cana) foram transferidos para o comprador, o grupo paulista Clealco.

Mas foi preciso afastar a gestão anterior, da família fundadora, para reestabelecer a credibilidade, lembra José Carlos Fernandes de Alcântara, à época nomeado gestor judicial da Campestre. “A situação era de caos absoluto. Não havia estoques, nem caixa. A usina estava desmontada, os empregados sem salários há seis meses e os fornecedores de cana em fuga”, relembra Alcântara.

Ao fim de quatro safras, o plano de recuperação não foi todo cumprido, mas a operação da usina foi reestabelecida, os salários e o pagamento dos fornecedores de cana colocados em dia, recorda ele. “Isso permitiu manter o ativo interessante para comprador”, afirma Alcântara.

A permanência da gestão antiga à frente das recuperandas é um dos pontos que contribuíram para o insucesso das recuperações judiciais no país, na visão do Pedro Mévio Coutinho, da PMC Administradores Judiciais. O afastamento é previsto em lei mas, na prática, é pouco usado por credores e administradores judiciais. “Como acreditar que a mesma gestão que, em muitos casos, levou a empresa à crise, terá a habilidade para retirá-la de uma situação ainda mais delicada, que é a recuperação?”, questiona Coutinho.

Advogado de um terço das usinas em recuperação judicial no país, Joel Thomaz Bastos, do escritório Dias Carneiro Advogados, reconhece que a gestão de usinas virou algo muito mais sofisticado nos últimos anos e que há, sim, gestões desastrosas. Mas ele atribui a dificuldade desse setor às políticas de controle de preços dos combustíveis do país e às sucessivas quebras de safra causada por intempéries. “Quando uma usina pede recuperação, você pode afirmar que foi a gestão. Mas quando quase 80 recorrem a essa saída é porque o problema é setorial”, avalia.

Criada por lei para durar dois anos, a recuperação judicial, no caso de usinas, vem se arrastando por anos. Embora a falência e a venda de ativos tenham sido a saída em alguns casos, na prática, a maior parte das empresas vem descumprindo o plano, sem ter falência decretada.

“Foi instituída uma ‘terceira opção’ que é fazer outras assembleias, para apresentar outros planos de pagamento. São saídas que o mercado tem encontrado. Algumas com justificativas, outras não”, aponta Coutinho.

Fonte: (Valor)

 

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