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Oferta de milho em alta favorece o etanol

Produção do biocombustível no Brasil deve chegar a 1 milhão de metros cúbicos em 2019, quase o dobro do processado entre abril e dezembro de 2018

A oferta de milho deverá crescer na temporada 2018/19 no Brasil e no mundo.

Apenas em território brasileiro, a produção do cereal saltará 2,1% ante o ciclo 17/18, segundo a Conab, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), chegando a estimadas 27,37 milhões de toneladas.

A expansão na oferta de milho favorece também as unidades produtoras que fazem etanol a partir do cereal. Em seu levantamento com dados entre 16/04/18 a até 1º de janeiro, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) destacou que a produção acumulada somava 512,8 mil metros cúbicos de etanol.

O montante produzido deve alcançar 1 milhão de metros cúbicos em 2019, conforme previsão de Tarsilo Rodrigues, diretor da comercializadora Bioagência, apresentada no Congresso de Bioenergia da Udop em novembro passado em Araçatuba (SP). A projeção de 1 milhão de metros cúbicos, conforme Rodrigues, leva em conta a entrada de novas plantas produtoras, assim como a expansão de outras.

Hoje situadas basicamente em Goiás e em Mato Grosso, onde há grande oferta de milho, as unidades de etanol do cereal expandem suas fronteiras.

Em Paraná e em Minas

Miguel Rubens Tranin, presidente da Alcopar, entidade representativa do setor sucroenergético no Paraná, disse para o JornalCana que a entrada de destilarias a milho no estado é apenas questão de tempo. “Temos oferta do cereal para isso e já negociamos”, comentou.

Minas Gerais também se prepara para entrar na produção de etanol de milho. A Bevap, com unidade no município de João Pinheiro, deve iniciar a fabricação do biocombustível a partir do cereal no mais tardar em 2020. A informação foi revelada para o Jornal Cana por Gilmar Galon, gerente de divisão industrial da empresa. Leia mais sobre a Bevap em entrevista com Gilmar Galon nesta edição.

Novas unidades em 2019

Em estados tradicionais de produção de etanol de milho, há a chegada de novas unidades como a da Inpasa de Paraguai S/A, em fase de implantação em Sinop (MT). A FS Bioenergia terá sua segunda planta de etanol de milho no MT localizada em Sorriso. A primeira, que opera desde 2017, fica em Lucas do Rio Verde. Já Goiás deverá ganhar duas plantas de etanol de milho em 2019. André Rocha, presidente do Sifaeg, representante do setor no estado, revelou em dezembro que o estado passará a contar com unidade da Cerradinho Bio e da Santa Helena. “Em 2018 já tivemos a entrada em operação da unidade de milho da Usina Caçu”, disse ele em evento com a participação do JornalCana.

Como deve ficar a oferta do cereal

A expansão das unidades produtoras de etanol de milho e de fontes proteicas como DDGs, com alto valor agregado, depende muito da oferta do cereal.

Por isso mesmo a previsão da Conab, de oferta 2,1% maior no ano-safra 18/19, favorece o setor. Essa previsão de alta ocorre devido ao aumento de 0,8% na área e de 1,3% na produtividade média.

Em relatório, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, destaca que até o início de dezembro as boas condições climáticas haviam favorecido o desenvolvimento das lavouras de milho verão nas principais regiões produtoras.

No entanto, agentes estão receosos quanto aos impactos do clima quente e seco sobre a produtividade registrados em dezembro.

Elevação

O Cepea, contudo, está otimista para a temporada 2018/19, para quem é esperado aumento na oferta de milho no Brasil e no mundo. No Brasil, segundo a instituição, a elevação deve ocorrer devido aos maiores patamares de preços do cereal nos últimos meses e ao rápido semeio da soja na primeira safra, que favorecerá o cultivo da segunda temporada de milho.

Com isso, deve haver aumento dos excedentes internos, mesmo com maior consumo, o que pode pressionar as cotações.

Já em termos mundiais, porém, a demanda deve aumentar mais que a oferta, pressionando os estoques e podendo elevar os preços internacionais. Espera-se, também, aumento nas transações internacionais, o que deve ser uma boa alternativa para as exportações brasileiras.

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