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O FIM DA MOAGEM FANTASMA

O mix de produção na indústria sucroenergética no Brasil caminha segundo os preços de açúcar e álcool no mercado e, num cenário como o atual  mais remunerador para o etanol, muitas vezes depreciamos os resultados ao não considerarmos importante a eficiência da fábrica de açúcar, justificando a medida com o conceito “a pureza do mel não importa, pois a prioridade é produzir etanol”. Acontece que a baixa eficiência ou baixa recuperação da fábrica de açúcar acaba se constituindo em uma situação conhecida na América Central como “Moagem Fantasma”, cujas consequências são:

• Aumento das perdas indeterminadas

• Restrição da moagem

• Aumento no custo dos produtos

Ao se adotar a estratégia convencional, de não priorizar a recuperação da fábrica de açúcar visando enviar o mel mais rico para a destilaria, teremos um cenário Com as características de Moagem Fantasma:

• Maximização da produção de etanol

• Baixa eficiência da fábrica de açúcar, pureza de mel final alta

• Menos caldo para destilaria

• Menor moagem

• Alto custo do produto final

Cenário Com Moagem Fantasma

Contudo, amplas experiências demonstram que é possível alcançar o objetivo de maximizar a produção de etanol e ampliar a moagem ao adotar uma estratégia otimizada, gerando um cenário Sem as características de Moagem Fantasma:

• Maximização da produção de etanol

• Alta eficiência da fábrica de açúcar, pureza de mel final baixa

• Mais caldo para a destilaria

• Maior moagem

• Baixo custo do produto final

Cenário Sem Moagem Fantasma

Observando ambos os cenários, ficam nítidos os resultados obtidos quando se opta pelo melhor esgotamento do mel, evidenciando a máxima do professor Fernando Medeiros, de que “a sacarose destinada à produção de açúcar tem que ser recuperada ao máximo (sic)”. Outro fator determinante para se esgotar o mel é que o custo de produção do açúcar é maior do que o do etanol, já que processamento do caldo para açúcar:

• Consome mais insumos, fosfato, cal, enxofre, floculante, clarificante, etc

• Requer maiores cuidados com a clarificação do caldo e do xarope

• Consome mais vapor, água e energia

• Requer mais recursos humanos

Por que perseguir o melhor esgotamento?

• Porque otimiza o balanço de massa

• Porque racionaliza o uso de energia

• Porque reduz o custo de produção tanto do açúcar quanto do etanol

Sem Moagem Fantasma, usina sobe de 22.000 TCD para 26.000 TCD

Nesta safra estamos atendendo uma unidade em São Paulo que iniciou a safra com a meta de 22.000 TCD (toneladas de cana por dia), moagem que comprometia o volume total de matéria-prima a ser processada na safra.

Após a avaliação dos balanços e da operação, foi detectada a moagem fantasma e corrigidos os desvios, sendo que atualmente a unidade está processando 26.000 TCD e produzindo 1.200 metros cúbicos de etanol e 35 mil sacas de açúcar por dia.

Como evitar a Moagem Fantasma?

Para evitar a Moagem Fantasma é necessário identificar suas causas e racionalizar os procedimentos nas seguintes operações:

• Preparação da semente

• Controle de cristalização

• Condições de trabalho, vapor, vácuo, temperatura, instrumentação

• Ajustes tempo de operação em centrifugas

• Approach no descarregador.

• Equilíbrio entre balanços de massa e energia com a moagem e instalações da unidade.

Segundo exposição de Jaime Peñaranda, especialista açucareiro colombiano, a eficiência da recuperação dos cristais de sacarose de uma massa representa a combinação de eficiências de cristalização no cozedor (trabalho do operador do cozedor) medido como a queda na pureza da massa assim que é descarregada do tacho e a elevação da pureza na operação de centrifugação (trabalho do operador de centrifuga) que constitui um recuo. Portanto, a soma das duas eficiências constitui uma medida da eficiência geral do processo. A eficiência da cristalização é determinada por meio de uma análise de pureza “logo”, quando a massa é descarregada do cozedor e a amostra é retirada por meio de uma bomba Nutsch ou ciclone. É por isso que é chamado Pureza Nutsch. A massa é imediatamente descarregada no misturador da centrífuga e, em seguida, são coletadas amostras de mel.

Normalmente, devem ser obtidos pelo menos 17,0 pontos de diferença entre a pureza das massas A e a pureza do ciclone e um máximo de 3,0 pontos de pureza de elevação nas centrífugas, para uma queda líquida de 14,0 pontos. Este é o valor do parâmetro. É muito importante que seja obtido e por isso deve ser um dos primeiros critérios de supervisão. O quadro a seguir ilustra a Eficiência na Recuperação de Cristais.

Neste sentido, é muito importante monitorar as causas do desvio do Objetivo Primário do Controle em cozedores. O eficaz monitoramento nos permite avaliar as recirculações ou devoluções de materiais que afetam a capacidade do equipamento e que representam a geração de cor e mel final. Essas recirculações são gerenciadas como critérios operacionais, evitando a “Moagem Fantasma”, assim chamada porque tais recirculações realmente constituem uma moagem adicional ao retornar aos cozedores, açúcares dissolvidos acima dos parâmetros da queda de pureza entre os méis e as massas.

A apresentação de Jaime Peñaranda no IV Simpósio Internacional – STAB Sul em fevereiro deste ano em Ribeirão Preto, pode ser obtida pelo link http://www.stab.org.br/iv_sem_inter_stab_sul2019/ind_26/26_ind_jaime_penarana.pdf.

Conclusões

Compreender o conceito de moagem fantasma é muito interessante para maximizar a moagem e os rendimentos industriais e minimizar os custos dos produtos finais, especialmente para plantas que precisam aumentar a moagem com o mix voltado para o etanol. Mas, como dizem os brasileiros, “cada caso é um caso” e carece de uma análise criteriosa de um especialista com experiência na identificação e mitigação da Moagem Fantasma.

*Javier Manuel Ibañez é engenheiro de produção açucareira, com mais de 30 anos de experiência em produção, gestão e engenharia de processos sucroenergéticos, em diversos países da América Latina. Atualmente presta consultoria através da Sugar & Ethanol Consultants

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