fbpx

Novo terminal em Santos dá impulso às exportações

Duas decisões estratégicas tomadas há pouco mais de um ano pelo setor sucroalcooleiro entram em cena em 2005 e servirão ao plano de ampliar ainda mais as exportações brasileiras, para níveis superiores a 2,5 bilhões de litros.

Começa nesta safra a operação do Terminal Intermodal de Santos, um projeto para granéis líquidos patrocinado pela Crystalsev, empresa de comercialização de álcool e açúcar de nove usinas paulistas – lideradas pela Santa Elisa e Vale do Rosário -, Grupo Ultra (para produtos químicos) e Cargill/Coimbra (para óleos vegetais). A estrutura está em fase final de montagem e será operada pela Tequimar, empresa de logística do Grupo Ultra.

Segundo Paulo Costa, gerente de Desenvolvimento de Projetos, o investimento chegou a US$ 11,5 milhões e terá capacidade de armazenagem estática de 40 milhões de litros. A previsão para o primeiro ano é conseguir embarcar por Santos 600 milhões de litros de álcool, estimativa conservadora, admite Costa. O terminal pode chegar a 720 milhões de litros, mas as limitações do píer (com 4 berços para atracação, 2 de uso cativo da Petrobrás) reduzem a capacidade de embarque. “Já há um estudo para a expansão do píer, e isso pode ajudar a ampliar a capacidade total do terminal”, afirma.

Outra decisão importante foi a de criar o braço ferroviário no terminal, o que viabilizará a inclusão do modal na logística de exportação do álcool, hoje praticamente inexistente. Mais de 90% do álcool transferido do interior do Brasil para os portos chega de caminhão.

A estrutura não será usada exclusivamente pela Crystalsev. A empresa finaliza neste momento a constituição de uma sociedade que incluirá outros dois sócios: o Grupo Cosan e a Usina Nova América. Ambos integralizarão o capital para a formação da nova empresa. A Coopersucar será tomadora de serviços do terminal, mas sem participar do negócio em razão de questões estatutárias. Cada uma das 4 empresas terá uma cota inicial para embarque de 150 milhões de litros de álcool.

OPEAÇÃO CARIBE

Além do terminal em Santos, a Crystalsev inaugura este ano outro importante projeto industrial, mas fora do Brasil. Em parceria com a Cargill e a Companhia de Açúcar Salvadorenha (Cassa), a empresa terá uma unidade de desidratação de álcool em El Salvador, com capacidade nominal para 200 milhões de litros por ano.

O investimento compartilhado foi de US$ 10,5 milhões, boa parte usada para a compra de tecnologia brasileira. Não é a única empresa a fazer isso. O Grupo Coimex monta na Jamaica uma usina idêntica em parceria com a estatal jamaicana de petróleo. A capacidade deve alcançar 250 milhões de litros por ano. Tudo para usufruir de uma brecha existente na legislação americana.

A operação Caribe/América Central será fundamental para o Brasil não perder o gigantesco mercado dos Estados Unidos. Daí uma polêmica. No ano passado, o preço elevado do petróleo, conjugado com o baixo preço do álcool no mercado interno, permitiu ao Brasil a exportação direta de álcool anidro para os EUA, mesmo com o pagamento de um imposto de US$ 0,54 por galão, ou algo como US$ 140 por m3. “O equilíbrio de preços entre o mercado brasileiro e americano tornará inviável esta operação em 2005”, diz Jacyr Costa Filho, diretor da Sociedade Corretora de Álcool (SCA), empresa que intermedeia operações de exportação.

As unidades de conversão de álcool hidratado em anidro no Caribe e América Central ajudarão o Brasil a pelo menos manter este ano os 600 milhões de litros exportados àquele mercado em 2004.

Inscreva-se e receba notificações de novas notícias!

você pode gostar também
Comentários
Carregando...
X