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JornalCana

Novas tecnologias aumentam performance no CTT

Conceito de conectividade aproxima homem e máquina e contribui para melhora da produtividade e redução de custos

A utilização de novas tecnologias voltadas para uma maior integração entre homem e máquina e computadores, aos poucos vai transformando o setor sucroenergético.

As ações de Corte, Transbordo e Transporte (CTT) já começam a refletir resultados dessas mudanças. O assunto foi discutido na 4ª Estratégica do JornalCana, realizada no dia 16 de junho e que teve como tema: “Inovações e Alta Perfomance no CTT”.

Sob a mediação do jornalista e diretor do ProCana, Josias Messias, o webinar contou com a participação de Ariel de Souza, head de tecnologia da Usina São Domingos; João Carlos Rocha Abdo, sócio-diretor da Agroabdo Consultoria; Leonardo Cintra, gerente de mecanização do Grupo Santa Terezinha e Mário Dias, gerente corporativo de mecanização da BP Bunge Bioenergia.

Ao longo de quase duas horas, os especialistas apresentaram no webinar um cenário das mudanças que já estão sendo implementadas no setor. O evento foi patrocinado pela AxiAgro; GDT by Pró-Usinas; HRC; Project Builder e S-PAA Soteica.

Para Ariel de Souza, da Usina São Domingos, a comunicação tem um papel preponderante nestas transformações, por conta da conectividade. Souza alerta, no entanto, que a chegada da tecnologia 5G não será a solução mágica que vai resolver todos os problemas.

“Na verdade, essa questão do 5G é um mito. O compartilhamento de dados no campo dificilmente se dará através dele. Embora seja uma tecnologia que permite o tráfego de um grande volume de dados, ele tem um limitador que é a distância, que enfraquece o sinal. Então para o campo, o melhor ainda é o 4G, que consegue levar um bom volume de dados a grandes distâncias, o que no campo é fundamental.

Segundo Souza, o futuro promissor da comunicação de dados está na tecnologia satelital. “Hoje uma das maiores empresas que provê serviços de comunicação é a Telesat, um dos grandes players. Mas também temos a SpaceX através do projeto Star Link e a Amazon que estão investindo fortemente em quantidade de satélites. A SpaceX, lançou nos últimos anos cerca de 1.700 satélites, que tem como missão garantir a comunicação de forma global a uma velocidade muito grande. Nós estamos falando em 10 vezes, aproximadamente, a velocidade atual. Em termos de custo, um link de satélite está na faixa dos R$ 3 mil. Já com esse projeto da Srtarlink SpaceX, cai para R$ 600,00. E a tendência é que esse custo fique bem mais atrativo e fácil para levar a internet para nossas máquinas no campo. Esse vai ser o nosso futuro”, disse.

 Inteligência artificial

Ariel também destacou a importância da integração, convergência e padronização na hora de se investir em novas tecnologias. “Hoje você olha na frente de um trator e vê pelo menos 5 telas. Então precisamos trazer isso para uma tela única, onde estejam concentradas todas as informações. A Usina São Domingos já vem aplicando a inteligência artificial com um sistema inteligente de colheita, seja no reconhecimento facial, no sequenciamento de transbordo, com certificado digital, despacho eletrônico, tecnologia de mapas de deslocamento, entre outros”, contou.

De acordo com o profissional, as novas tecnologias trazem novas possibilidades. Mas é preciso trabalhar pessoas. “Precisamos trabalhar os processos e buscar uma nova forma de gestão. Não podemos gerir o futuro com ferramentas do passado. Temos que pensar diferente, temos que ter ferramentas diferentes, é isso” finaliza Ariel.

João Carlos Rocha Abdo

João Carlos Rocha Abdo, da Consultoria Agroabdo, apresentou um software de Logística Otimizada de Colheita – LOC. O sistema se baseia nos pilares da economia, pois ajuda na redução de custo e também nos recursos humanos. A ferramenta tem como foco o planejamento e também a execução de operações.

Através de algoritmos e ferramentas de pesquisa operacional ele simula vários cenários, até chegar aquele que apresenta o menor custo, facilitando a tomada de decisões, padronizando a forma de trabalho e integrando a atuação de diversos setores (topografia, colheita, planejamento).

O sistema possibilita a otimização dos pátios de transbordo, gerando módulos de colheitas dentro dos blocos, determinando quais talhões pertencem a cada módulo.

Segundo Abdo, na gestão do CTT, o programa auxilia na redução do custo, economia de diesel com a diminuição da quilometragem do transbordo entre outros resultados.

Leonardo Cintra

Leonardo Cintra, do Grupo Santa Terezinha, onde os custos com o CTT representam de 25 a 30% do custo da cana, mencionou as ações voltadas para a redução de custos. “Após um trabalho de dimensionamento, são construídos cenários para cada safra. Só para ter uma ideia, para essa safra nós fizemos cerca de 140 planos e mais de 1.500 cenários operacionais. Desta forma, chegamos a um número de 100 grupos de operações com mais de 10 turnos ou sistema de trabalho de acordo com a capacidade operacional do equipamento. Fizemos uma análise vertical de cargos das pessoas e uma análise horizontal comparando entre as unidades”, disse.

Uma ferramenta que nos auxilia muito são os Centros de Inteligência Agrícola (CIA), responsáveis pela garantia da viabilidade econômica das operações. Ele utiliza um sistema que faz administração e gestão das frotas, fazendo também uma correlação com a produção da lavoura e os postos de serviços operacionais.  A tomada de decisão na CIA garante a eficiência na utilização da frota, visando o aumento da produção e redução do consumo de combustível e o dimensionamento assertivo na logística operacional.

“E são emitidos relatórios com uma diversa gama de apontamentos. Temos todas as informações aí praticamente just-in-time”, informou Cintra.

A usina também conta com um programa que estimula a busca de bons resultados. Esse incentivo chamado PPV, é uma premiação variável considerando segurança, produção, qualidade e custo. “Então, toda equipe nossa (comboio, manutenção, o pessoal do CIA além da equipe operacional de colheita de transbordo e transporte) recebem esse PPV que está nos auxiliando muito no aumento da eficiência operacional no CTT”, afirma.

Mário Dias

Mário Dias, gerente corporativo de mecanização da BP Bunge Bioenergia, disse que os destaques das operações agrícolas e industriais são monitorados através de um centro de  controle operacional localizada em São Paulo. A BP Bunge Bioenergia conta com 11 unidades na região sudeste, norte e centro-oeste do Brasil, com capacidade de moagem de 32 milhões de toneladas por ano. Conhecida como Smart Log, a torre de controle responde pela integração de todas as usinas.

São monitorados mais de 1.200 ativos, interface com mais de 4.000 pessoas, 6 sistemas diferentes integrando mais de 70 frentes de CTT com cerca de 30 milhões de informações, que se transformam em ações.

“Realmente são os nossos olhos, onde a gente faz a interface com a agrícola e com indústria . Para se ter uma ideia, para uma parada de transbordo existem 47 motivos. Então existe uma árvore de decisão para os nossos analistas que fazem o monitoramento online de todo processo”, informou Dias.

Joacir Gonçalves

Assista ao webinar completo:

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