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Novas técnicas de maturação anunciam equilíbrio entre produtividade e acúmulo de açúcar

Pesquisadores e produtores apontam um novo complexo nutricional que vem auxiliando a vencer esse desafio

Acumular açúcar e manter a produtividade é um dos desafios do processo de maturação da cana. Mas vencer esse desafio já não é uma realidade tão distante. Algumas soluções já despontam no horizonte e trazem perspectivas animadoras para o setor sucroenergético. O assunto foi um dos temas abordados durante a 3ª Maratona CANABIO – Inovações em Nutrição e Maturação Vegetal + Foliar realizada no dia 29 de julho.

Com a participação de Carlos Crusciol, professor titular da UNESP de Botucatu; Renato Rosa, gerente de planejamento e desenvolvimento na Usina Vale do Verdão e Sérgio Castro, pesquisador da Agroquatro-S Experimentação Agronômica Aplicada, o evento apontou algumas dessas soluções já em aplicação.

Com mediação do jornalista Alessandro Reis, do JornalCana, o webinar teve patrocínio das empresas Agrobiológica Sustentabilidade, AxiAgro, Microgeo, HRC e Wiser.

Segundo Sérgio Castro, da Agroquatro-S, a maturação nutricional é uma nova tecnologia que tem como foco agregar produtividade e açúcar.

“Maturador é um produto que aplicado na cana-de-açúcar no final do seu ciclo de desenvolvimento diminui a taxa de crescimento vegetativo sem afetar o processo fotossintético de modo que haja saldo de produtos fotossintetizados e os quais serão transformados em sacarose e armazenado. A aplicação de maturadores, no entanto, prejudicava a taxa de crescimento em detrimento do acúmulo de sacarose. Porém estamos evoluindo e a maturação nutricional permite acumular sacarose sem atrapalhar o crescimento da planta”, informou.

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Sérgio Castro, pesquisador da Agroquatro-S Experimentação Agronômica Aplicada

A tecnologia da maturação nutricional consiste no emprego de nutrientes com foco em agregar açúcar e a planta acumular biomassa, ou seja, pch e PH ao mesmo tempo. Entre esses nutrientes estão o nitrogênio, zinco, boro, magnésio e potássio. Segundo Castro, o importante é entender qual desses nutrientes devem ser aplicados, buscando sempre formular concentrações que tragam acúmulo de sacarose e produtividade.

O pesquisador apresentou alguns trabalhos que demonstram o êxito da aplicação. Segundo Sérgio uma importante vantagem da maturação nutricional pode ser sentida nas “janelas de colheita”, pois o tempo necessário para que a tecnologia nutricional atinja seu ápice é de 28 dias, um período bem menor que os 35/50 dias dos maturadores químicos, possibilitando uma folga no manejo da usina.

Segundo Sérgio, o canavial ideal para receber esse tipo de manejo é o de início de safra (março a junho) na região centro-sul do Brasil.

Usina Vale do Verdão

 Renato Rosa, da Usina Vale do Verdão, localizada no sudoeste de Goiás, com quatro unidades e uma produção estimada em 7,8 milhões de toneladas de cana, falou sobre o manejo de maturadores ao longo de 2021 na usina.

Ele explicou que a metodologia consiste em “conversar” com a cana. “Não estou falando de dados estatísticos, mas sim ir a campo marcar a cana e acompanhar seu ritmo de crescimento. Para isso utilizamos ferramentas comuns: calculadora, paquímetro e uma trena simples. O desenvolvimento da planta é acompanhado em três épocas diferentes de colheita, e seus crescimentos são acompanhados nas três épocas. Anualmente o crescimento é acompanhado sempre em um mesmo local, portanto a referência é sempre em um mesmo solo e ambiente de produção”, explica.

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Renato Rosa, gerente de planejamento e desenvolvimento na Usina Vale do Verdão

Ao longo de sua apresentação Rosa apontou fatores hídricos e de temperatura que interferem em todo o processo. Os números apontaram que o ano agrícola não foi propício para a maturação no início da safra, pois a cana estava com idade cronológica e não com idade fisiológica ideal para a maturação. O maturador Sugar Plus tem sido uma boa alternativa para o grupo, principalmente devido à cultura da cana ter muitos vizinhos com as culturas do milho e do sorgo. E que o Riper passou a ser uma alternativa para canas que não completaram seu ciclo (com todo potencial), agredindo menos a cultura e preservando a produtividade agrícola.

Folha: indústria de transformação

 O professor titular da UNESP de Botucatu, Carlos Crusciol, falou ao longo da sua apresentação sobre a nutrição foliar, que vem evoluindo nos últimos anos. “Dos anos 70 até a primeira década do ano 2000, essa tecnologia não evoluiu muito. A maioria das pessoas comprava o “foliar” porque o balde era muito bonito. Você comprava mais pela embalagem chamativa do que pela funcionalidade da tecnologia. Isso acontecia, pois até então, não se tinha conhecimento de como fazer o nutriente ser absorvido pela folha”, elucidou.

De acordo com ele, o que acontece hoje na agricultura de maneira geral não só em cana-de-açúcar, é adubação foliar complementar. “Quando a gente fala de hidrogênio e até dos micronutrientes a gente pode estar complementando uma parte via folha. Mas a melhor forma de nutrir a planta e para atender toda essa demanda vai ser via solo”, afirmou.

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Carlos Cruciol, professor titular da UNESP de Botucatu

O professor questiona e explica: “Então por que está crescendo tanto a adubação foliar? Porque essa adubação foliar está entrando como estimulante e para o equilíbrio do metabolismo. Estou pegando uma pequena faixa da fase fenológica dela lá no final provocando um estímulo com aqueles nutrientes e tendo um ganho de ATR, equilibrando uma lavoura numa bacia de vinhaça que está muito saturada de potássio, pode aumentar 10 toneladas de cana, porque estou melhorando o metabolismo foliar celular”, disse.

Segundo ele, a fábrica de uma planta não está na raiz, não está no colmo.  A indústria de transformação de uma planta é a folha. “A raiz é uma mineradora. Ela vai lá e pega água, minerais, inclusive metais e leva para a indústria de transformação que é a folha. Então quando eu faço essa adubação foliar estou provocando estímulo. Por isso, que em pequena quantidade a nível celular e para o equilíbrio, podendo ganhar ATR e ter ganho de TCH”, conclui Crusciol.

 

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