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Nossa parceria em bicombustíveis

Sábado visitarei o presidente Bush em Camp David para dar seqüência às conversas que tivemos há poucas semanas em São Paulo. Demos um importante primeiro passo para comprometer nossos países com o desenvolvimento de fontes de energia limpas e renováveis que garantirão a prosperidade de nossos povos ao mesmo tempo que protegem o meio ambiente.

Estamos lançando uma parceria para intensificar a participação do combustível de etanol nas misturas energéticas de nossos países enquanto agimos para ampliar a disponibilidade do combustível biodiesel. Ao mesmo tempo, estamos criando oportunidades para estender esses programas para que atinjam um estágio global.

Essa iniciativa está fundamentada no que o Brasil já realizou em matéria de bicombustíveis. Trinta anos de pesquisa e inovação tornaram nosso país auto-suficiente em petróleo pela substituição de 40% de nosso consumo de gasolina por etanol. Os motores “flexíveis, que funcionam com qualquer combinação de biocombustíveis transformaram o etanol numa fonte de energia garantida e confiável. Aguardamos evoluções técnicas semelhantes à medida que desenvolvermos mais nosso mercado doméstico de biodiesel.

Entretanto, o etanol e o biodiesel são mais do que uma resposta ao nosso perigoso “vício” em combustíveis fósseis. Nosso objetivo é promover uma reavaliação da estratégia global para preservar nosso meio ambiente. Além de serem renováveis, os biocombustíveis brasileiros são limpos e altamente competitivos, pois o etanol feito a partir da cana-de-açúcar não deixa resíduos, já que tudo é reciclado e os subprodutos de sua produção são utilizados para enriquecer o solo. Igualmente importante é o fato de a cana-de-açúcar seqüestrar o carbono da atmosfera, o que ajuda a reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Essas fontes de energia alternativas colaboram para diminuir a dependência global de relativamente poucos países para o suprimento de energia. O acordo entre o Brasil e os Estados Unidos propicia a diversificação da produção de biocombustíveis por meio de alianças triangulares com terceiros países. Essa rede de operação pode incluir países produtores de petróleo interessados em misturar etanol ou biodiesel em seus próprios estoques de combustível fóssil. Essa é uma receita para aumentar rendas, criar empregos e aliviar a pobreza em muitos países em desenvolvimento onde as plantações de biomassa são abundantes.

Para que essas propostas ganhem força, é preciso implantar as bases para um mercado mundial desses combustíveis. O Brasil e os Estados Unidos se associaram à Índia, à China, à África do Sul e à União Européia no lançamento do Fórum Internacional sobre Biocombustíveis este mês. A meta é garantir as condições para que o etanol e, mais tarde, o biodiesel convertam-se em commodities comercializadas globalmente. Mas isso só poderá ser conseguido se o comércio de biocombustíveis não for atrapalhado por políticas protecionistas. Afinal, os subsídios estabelecidos pelo programa de etanol extraído do milho nos Estados Unidos desencadearam uma elevação nos preços do cereal nos EUA de cerca de 80%. Isso causa prejuízos às empresas processadoras de carne e soja no mundo inteiro e ameaça a garantia no fornecimento global de alimentos.

O sucesso do programa de etanol do Brasil também ajudou a dissipar certos mitos. O etanol não é uma ameaça direta às florestas tropicais, já que o solo amazônico é extremamente inadequado para o plantio de cana-de-açúcar. Mais ainda, o compromisso inabalável do Brasil com a proteção ambiental fez com que o desflorestamento tivesse uma queda de 52% nos últimos anos.

Tampouco a cana-de-açúcar ameaça a produção de alimentos. Menos de um quinto dos 340 milhões de hectares de terra arável no Brasil é usada para tais culturas. E somente 1%, ou seja, 3 milhões de hectares, é usado para colher cana-de-açúcar para etanol. Em contraposição, 200 milhões de hectares são pastagens nas quais a produção de cana está começando a se expandir. O verdadeiro desafio em prover garantia alimentar está em vencer a pobreza daqueles que constantemente estão famintos. É por esse motivo que lançamos uma campanha no Brasil e no exterior para assegurar a cada homem, a cada mulher e a cada criança a renda mínima necessária para que possam fazer três refeições diárias.

Realmente, as condições de trabalho dos colhedores de cana precisam ser melhoradas , e nós estamos plenamente empenhados nessa tarefa.

Entretanto, essa questão não justifica críticas ásperas a uma atividade econômica que oferece empregos e esperança a tantas pessoas no Brasil e pelo mundo inteiro.

A agricultura provê não apenas produtos alimentícios, mas também sustento para milhões de agricultores de pequena escala em termos globais. A disseminação da cana-de-açúcar, da soja e de outras culturas oleaginosas para produção de biocombustíveis vai assegurar às famílias de agricultores carentes recursos para se alimentarem. Um aumento significativo no valor dos produtos agrícolas e no rendimento do comércio poderá facilmente ser alcançado se os países em desenvolvimento que possam cultivar essas culturas de biomassa não tiverem de enfrentar a concorrência injusta de agricultores que se beneficiam de fortes subsídios em países ricos.

Todos nós sabemos que o segredo da certeza do fornecimento de energia está em diversificar nossas fontes de energia. O Brasil e os Estados Unidos representam juntos mais de 70% da produção mundial de etanol.

Estamos compartilhando mercados e conhecimentos técnicos para produzir uma energia mais limpa, mais eficiente e renovável.

Nossos dois países sempre acreditaram no empreendedorismo de seus cidadãos. Hoje, temos uma oportunidade de reforçar a confiança na nossa capacidade de responder a novos desafios e ameaças globais. Ao investir em biocombustíveis, podemos também nos aliar a países em desenvolvimento na disseminação da paz, da prosperidade e da promessa de um futuro melhor.

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