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“Nós não queremos ninguém nos tarifando”, diz Trump

Presidente dos EUA ameaça retaliar Brasil caso a tarifa sobre o etanol americano não seja reduzida  

Trump: pede reciprocidade, mas só a favor dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que irá impor tarifas aos produtos brasileiros, caso o Brasil não reduza a alíquota de importação do etanol americano.

“No que diz respeito ao Brasil, se eles impõem tarifas, nós temos de ter uma equalização das taxas. Vamos apresentar algo sobre tarifas e justiça, porque muitos países, por muitos anos, têm nos cobrado tarifas e nós não cobramos deles”, disse, nesta segunda-feira (10), ao ser questionado sobre o assunto pela reportagem da Globo News.

O presidente dos EUA também afirmou ter uma boa relação com Jair Bolsonaro, mas reforçou que é preciso ter “reciprocidade”.

Atualmente, há isenção da taxa para até 750 milhões de litros de etanol importados dos EUA. Mas a alíquota de 20% deverá ser restabelecida sobre a cota isenta a partir do dia 31 de agosto.

É o que não querem os americanos, que pedem pela tarifa zero e pelo fim da cota. Até o momento, o volume importado de etanol americano foi de 810,92 milhões litros de etanol.

Gussi: prejuízo será grande se Brasil atender aos EUA

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Já os produtores brasileiros alegam que, em contrapartida, eles poderiam também beneficiar o Brasil com tarifas menores sobre o açúcar brasileiro, que chegam próximas de 140%.

Para Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o prejuízo para os produtores brasileiros será grave, caso o governo brasileiro atenda às pressões americanas, pois já sofrem com os impactos da queda da demanda devido à pandemia.

“Pela fala do presidente Trump, percebe-se que ele não conhece o tema. Ele fala como se nós fossemos estabelecer uma tarifa contra os Estados Unidos, e a tarifa foi estabelecida em 1995, no âmbito do Mercosul”, ressaltou o dirigente ao Jornal Globo.

Gussi também falou sobre o assunto durante o Webinar JornalCana – Encontro de Lideranças, realizado em 1º de julho, do qual outras lideranças do setor também participaram. Na ocasião, os representantes de entidades comentaram sobre a exigência dos EUA ao governo brasileiro para derrubar as tarifas de importação do etanol americano para ajudar na reeleição de Trump.

Segundo o presidente da Unica, a estratégia foge à lei. “Não é possível submeter políticas públicas para beneficiar a eleição de ninguém, muito mais de um chefe de Estado estrangeiro. A nossa legislação impede que se faça isso, pois é crime”, alertou.

O dirigente não acredita que “esse benefício” seja levado em consideração pelo Governo Federal.

“Os americanos querem um livre comércio, mas cobram taxas de importação do açúcar mais do que o produto vale. Querem livre comércio? Então vamos conversar com maturidade. Liberamos o etanol deles e eles liberam o nosso açúcar nas mesmas bases”, disse Gussi.

Jorge dos Santos, do Sindálcool

Opinião compartilhada com o diretor executivo do Sindalcool/MT, Jorge dos Santos. “A relação de troca tem que ser plural, não pode ser simplesmente para um lado e nem ter dois pesos e duas medidas para o mesmo setor tão importante, que gera empregos, renda e impostos, como o setor sucroenergético nacional”, alertou.

Mário Campos, do Siamig

Santos disse ainda que não há perigo de faltar o produto no Brasil, citando a produção de etanol de milho, que vem crescendo no País, devendo chegar a 2,5 bilhões nesta temporada. “Como disse o ministro Paulo Guedes (Economia), nós não precisamos do etanol americano”, lembrou.

O presidente do Siamig, Mário Campos Filho, afirmou que “o Governo Federal tem que pensar mais no Brasil e menos em uma questão de parceria. Aliás se tiver parceria, ela tem que ser positiva para ambos os lados. Temos o açúcar que tem uma cota pequena, que é atendida pelo Nordeste que pode ser colocada em jogo”, disse.

André Rocha, do Fórum Nacional Sucroenergético

André Luiz Baptista Lins Rocha, presidente do Sifaeg e do Fórum Nacional Sucroenergético, reforçou que o setor está unido nessa luta. “Nós temos hoje 1% das cotas e 44% do mercado mundial de açúcar. Isso por si só já mostra como os EUA tratam o comércio do mundo. Eles estão defendendo, brigando, pelo seu espaço, sem se preocupar com os demais”, elucidou.

Segundo Rocha, o setor pleiteia o fim a essa desigualmente. “Hoje o imposto em cima do açúcar extra cota é maior do que o preço do produto. É um absurdo”, acusou, sugerindo que os Estados Unidos poderiam aumentar a mistura do etanol de 10% para 15%, o que resolveria, não só o problema de demanda dos produtores americanos, como também abriria espaço para a produção do Brasil.

Renato Cunha, presidente da NOVABIO e do Sindaçúcar/PE

Renato Augusto Pontes Cunha, presidente executivo da da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) e do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Pernambuco (Sindaçúcar/PE), lembrou que os EUA têm um sistema protecionista e que apregoam o livre mercado com regras favoráveis a eles mesmo, portanto é preciso ter diálogo, ter um entendimento, pois “o brasileiro não tem essa postura serviçal” para atender os americanos sem ter uma troca positiva para os dois lados.

“Mais do que nunca precisamos fortalecer o mercado interno, a saúde das usinas, a longevidade das usinas, principalmente com essas quedas de demanda”, afirmou, comentando “nos foi sinalizado várias vezes que haveria um entendimento quando houve a renovação da cota para o etanol importado, mas tudo era provisório e nunca houve receptividade para isso”, esclareceu.

 

 

 

 

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