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Nem protestar o setor pode

A cada ciclo eleitoral a história se repete. De olho nas urnas e na reeleição, o governo acena ao setor com medidas paliativas. Agora, no episódio da aprovação da emenda que autoriza o aumento do limite da mistura de etanol anidro na gasolina de 25% para 27,5%, o governo aperta a mão do setor com a direita, mas não solta as rédeas com a esquerda, uma vez que cabe a ele utilizar ou não a autorização. Isto significa que o anidro só será comprado a mais se o governo assim o quiser e quando quiser.

O projeto completo visa a alterar o percentual/limite para o máximo de 30% e o mínimo para 20%. Atualmente, a Lei nº 8.723, de 28 de outubro de 1993 limita os percentuais de variação entre 25% e 18%. Em tese, é sempre bom ter uma folga entre as porcentagens, porque isto regularia o próprio mercado. Antes, a folga era de 7% e passaria a 10%. Mas, o problema, repito, é que o setor continua  nas mãos do Governo!

Assim, ao que tudo indica, pelo menos até o resultado final do escrutínio, o governo federal continuará ignorando as dificuldades enfrentadas por toda a cadeia sucroenergética. Dificilmente este governo vai mudar de fato sua postura e, infelizmente, vamos continuar vendo-o desprezar a história e destruir as conquistas dos brasileiros em energia sustentável. Vai continuar a utilizar o setor e a Petrobras com objetivos eleitoreiros, mesmo que isto signifique minguar a ambos.

O setor sucroenergético não é ingênuo. Tem consciência das nulas possibilidades de o governo recuperar o preço da gasolina antes das eleições deste ano, o que permitiria uma consequente recuperação nos preços do etanol. Ou de ressuscitar a alíquota original da Cide, ou de remunerar de forma justa, a energia elétrica gerada a partir da biomassa.

Pior é que, diante de tudo isso, o setor sequer pode protestar. Não pode sair às ruas ou às praças para fazer reivindicações porque no conturbado momento atual isto não faz mais sentido. Diante da proliferação de protestos e manifestações, que em sua maioria acabam descambando para a violência, seria mais uma pinta na onça. E uma pinta péssima para a imagem do setor, que fatalmente seria tachado de oportunista e baderneiro.

Por esta razão é digno de nota a manifestação que mais de três mil pessoas, entre fornecedores de cana, produtores rurais e trabalhadores do setor, fizeram em Jaú, interior de São Paulo, no dia 24 de abril último. (veja registro na página 6). Esta ação, que incluiu e uniu usinas da região, revela o nível de aflição do setor como um todo. Mais do que uma manifestação ou protesto, foi um pedido de socorro em nome de toda a cadeia produtiva sucroenergética brasileira.

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