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Nanotecnologia é ferramenta para multiplicar consumo

Jacílio Saraiva

Os fabricantes de matérias-primas e os transformadores de plásticos investem em inovação tecnológica para não ser atropelados pela concorrência. Alguns gigantes do setor de resinas, como a Braskem e a Petroquímica Triunfo, reservam até R$ 50 milhões por ano para atividades de pesquisa e desenvolvimento de novos materiais e processos produtivos.

Esses incentivos fazem as resinas ganharem as ruas, sob diferentes aplicações. Os novos materiais tomam a forma de coletes à prova de bala, tanques de combustíveis veiculares de 600 litros e até esteiras de bagagens em aeroportos.

A Braskem, que faturou R$ 15 bilhões em 2006, investe R$ 50 milhões por ano no desenvolvimento de novas tecnologias. “A verba vai para a criação de compostos que podem substituir outros materiais, como polímeros de origem renovável e os nanocompósitos, duas tecnologias emergentes no setor petroquímico”, explica Luís Cassinelli, diretor de inovação e tecnologia da Braskem.

Na área de polímeros de origem renovável ou “verdes”, produzidos a partir de plantas, como a cana-de-açúcar, a empresa já tem um histórico antigo. Na década de 80, chegou a produzir 200 mil toneladas de PVC a partir do etanol. “Hoje, estamos aperfeiçoando a tecnologia”.

Já para trabalhar com os recursos da nanotecnologia, a companhia, que tem quatro patentes no setor, mantém uma equipe de nove pesquisadores exclusivos. No ano passado, lançou uma resina baseada em polipropileno com nanocompósito, que pode ser usada na fabricação de eletroeletrônicos, embalagens injetadas e peças de veículos.

Até o final do ano, apresenta mais uma novidade que bebe na fonte da nanotecnologia: resinas de polietileno de alta densidade, direcionada para o mercado de sopro. Vai ser usada para criar tanques de combustíveis de automóveis e tubulações de água. “Graças à nanotecnologia, as peças estão mais leves e resistentes”.

Nos últimos três anos, a Braskem trouxe ao mercado três novas resinas que representaram cerca de 20% das vendas da empresa, em 2006. A Pluris e a Flexus são usadas para a fabricação de embalagens plásticas, enquanto a Idealis é voltada para o setor de engenharia, na produção de placas de revestimento e de esteiras de bagagem nos aeroportos.

Em março, depois de dois anos de estudos, a companhia gerou a RP145, uma resina de polipropileno para os segmentos de embalagens e utilidades domésticas. O chamariz é que o produto, transparente, garante a manutenção do sabor original dos alimentos guardados em vasilhames. A Braskem estima que o mercado potencial para a RP145 seja de cerca de 40 mil toneladas por ano.

Todas essas invenções fazem parte de uma política da empresa, direcionada à ampliação de mercados por meio do desenvolvimento de novas alternativas para o uso do plástico. A maior parte dos projetos sai do centro de tecnologia e inovação da companhia, em Triunfo (RS), resultado de um investimento de R$ 330 milhões.

Além dele, há outras duas unidades de pesquisa, na Bahia e em São Paulo. Na ponta do lápis, a Braskem possui mais de 170 pesquisadores e técnicos em onze laboratórios e sete plantas-piloto, que podem até criar produtos em parceria com os próprios clientes.

O centro de tecnologia de Camaçari (BA), por exemplo, tem seis laboratórios e uma planta-piloto para testes e pesquisas do Utec. Trata-se de um plástico resistente usado na fabricação de fibras para coletes à prova de balas, cordas para plataformas de petróleo e revestimento de pneus de caminhão.

Em São Paulo, os pesquisadores da empresa aprimoram produtos derivados do PVC. Um dos projetos é avaliar o comportamento do material, quando exposto à chuva, ao sol e à umidade em cidades de climas diferentes, como Belém (PA), São Paulo e Rio Grande (RS).

A empresa também costura acordos de cooperação técnica com universidades, como a Universidade Federal do Rio Grande Sul (UFRS) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). O resultado desse mutirão tecnológico é uma lista de mais de 140 patentes depositadas no Brasil e no exterior.

A Braskem não está sozinha quando o assunto é produzir novidades na indústria de resinas. A Petroquímica Triunfo, que faturou R$ 621,8 milhões em 2006, reserva 3,8% da receita – ou R$ 23,8 milhões – para atividades de inovação tecnológica.

O investimento também é canalizado para o desenvolvimento de novos processos de produção. “No ano passado, criamos um método de fabricação baseado em injeção de gás, que aumenta a produção dos reatores e amplia a faixa de produtos que podem ser finalizados com essa tecnologia”, explica Marcelo Spohr, gerente de desenvolvimento da Petroquímica Triunfo.

A novidade já deu filhotes. Foi produzido um novo tipo de copolímero de etileno e acetato de vinila (EVA) para a produção de filmes térmicos que embalam alimentos, cobrem estufas agrícolas e empacotam paletes. O EVA é conhecido por originar embalagens para alimentos congelados, embutidos e carnes, além de placas expandidas e solados.

A nanotecnologia também está na agenda da Triunfo. Os esforços no setor são concentrados na busca de compostos para o isolamento e cobertura de fios e cabos elétricos.

As empresas transformadoras de plásticos também pegam carona na inovação para diversificar mercados em 2007. A Unipac, do grupo Jacto, mostrou no mês passado um tanque de combustível de plástico de 600 litros. A idéia é dotar caminhões de carga com reservatórios maiores e, com isso, gerar maior autonomia em viagens longas.

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