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Montadoras apostam em motores flexíveis

A consolidação da tecnologia de motores bicombustíveis – chamados “flex fuel” –, somada à boa aceitação pelo público dos novos modelos de carros flexíveis lançados no mercado em março de 2003, está levando montadoras a sinalizarem que vão abandonar a fabricação de carros monocombustíveis. “Daqui para a frente, cem por cento dos veículos novos da General Motors do Brasil serão flexíveis”, antecipa Henrique Pereira, gerente de engenharia da GM/PowerTrain.

No ano passado – quando foram lançados comercialmente no Brasil – as vendas desses carros alcançaram 4% do mercado interno, mas em janeiro último esse número disparou para 14,4%. Ontem, durante sua palestra “O veículo flexível e os novos mercados para o setor sucroalcooleiro”, Pereira arrancou aplausos ao inferir que se toda a indústria automobilística brasileira seguir esse exemplo, “o consumidor passará a mandar no mercado de combustíveis”.

Os veículos a combustível flexível são tipicamente automóveis ou utilitários leves que operam com gasolina, álcool ou quaisquer misturas destes carburantes. A escolha do combustível é feita pelo usuário na hora do abastecimento, levando-se em consideração sua disponibilidade e custo, assim como o desempenho do veículo. Eles são capazes de identificar o combustível ou mistura utilizada e ajustar seus sistemas de injeção e ignição adequadamente à escolha feita pelo consumidor.

A indústria brasileira de motocicletas também poderá incrementar a produção de modelos “flex fuel”. De acordo com Alfred Szwark, executivo da ADS Tecnologia e Desenvolvimento Sustentável, que também participou do painel, essa é uma boa alternativa que se abre para os fabricantes de motos pelo fato de se poder usar o sistema de injeção eletrônica nesses veículos. “Com a eletrônica embarcada, essa alternativa torna-se algo muito simples e viável.”

Segundo Roberto Giannetti da Fonseca, presidente da Silex Trading – outro dos debatedores -, se a perspectiva para o consumo do álcool utilizado por indústrias e fabricantes de bebidas é de crescimento vegetativo para os próximos anos, em relação ao álcool combustível deverá ocorrer uma explosão de demanda daqui para a frente. “Isso se dará tanto por conta da prevista expansão dos motores bicombustíveis no país, como pela expectativa de que o etanol seja introduzido em misturas com derivados de petróleo também em outros países, a exemplo do que já ocorre largamente aqui.”

Para ele, também a tecnologia “flex fuel” oferece boas perspectivas de aumento das vendas externas do etanol brasileiro. Ele destaca, porém, que o Brasil já não é o único grande produtor do combustível (ainda que seja o maior). “A China, a Índia, a Tailândia e a Austrália são países também produtores de etanol, seja via cana-de-açúcar ou via mandioca, como é o caso da Tailândia e China, e poderão também se tornar potências no setor sucroalcooleiro na medida em que a tecnologia do metanol avançar em vários centros consumidores do mundo”, afirmou.

De acordo com Giannetti, o mercado internacional do etanol ainda é hoje muito pequeno: o total comercializado no mundo foi de 2,8 milhões de metros cúbicos, com prevalência da União Européia, Europa Oriental e das Américas – representadas pelos Estados Unidos e pelo Brasil.”

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