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Monsanto aposta no crescimento do plantio direto durante a safrinha

O plantio direto de grãos, sistema já consagrado em estados como Goiás e Paraná, avança também em Ribeirão Preto e região. A próxima segunda safra de verão – a popular safrinha – deverá acelerar o emprego da tecnologia, que consiste na plantação direta das sementes, sem a necessidade do uso de implementos agrícolas no preparo da terra.

“Pelo plantio direto, o agricultor pode cultivar as sementes quase que imediatamente após a colheita”, diz o engenheiro agrônomo Marcio João Scaléa, gerente técnico de plantio direto da Monsanto do Brasil. A empresa multinacional é fabricante do herbicida Roundup, aplicado depois da colheita para o preparo do próximo plantio.

A função do produto é a de deixar a terra livre de matos e ervas daninhas. No plantio convencional, esse encargo é dos tratos empregados pelos implementos agrícolas rebocados por tratores e que, para operarem, necessitam de tempo bom. A recente temporada de chuvas, por exemplo, prejudicou em muito a agricultura da região porque a fase de plantio ficou interrompida.

Segundo Scaléa, o cultivo direto proporciona redução de custos e garantia de terras produtivas no médio e longo prazo. “Em média, é possível economizar 18% nos custos de produção de um hectare”, afirma.

O ganho resulta da menor utilização de óleo diesel nos tratores e máquinas, com economia de até 70%; ao exigir menos tempo de trabalho da mão-de-obra (custos 60% a 70% menores) e queda de 48% a 50% no capital empatado no maquinário. “Esse último exemplo interessa também para quem atua como arrendatário”.

Na média nacional, conforme levantamento da Monsanto, entre 70% e 80% da soja do País é plantada de forma direta. No caso do milho, os percentuais ficam entre 40% a 50%. A safrinha que está para ser iniciada pode ampliar esses percentuais.

A previsão é a de que o preparo para o plantio dos grãos da safrinha comece a partir do final deste mês. Geralmente esse ciclo produtivo é considerado de risco porque ele não recebe muitos tratos culturais como adubação, e o resultado, por isso, também costuma ser bem menor em relação à primeira safra de verão. A média nacional fica entre três a quatro toneladas por hectare. No estado de Goiás, onde há regime de chuvas mais favorável e o ciclo pode ser feito mais tardiamente, chega-se a seis toneladas de grãos por hectare.

Ao não necessitar o emprego de máquinas para gradear ou sulcar, o solo não é revolvido e, assim, o plantio direto permite a economia da água armazenada no solo para a safrinha. A umidade permite tolerância maior aos veranicos comuns no período.

A Monsanto, por exemplo, emprega o plantio direto desde a década de 1970, mas somente nos últimos anos ele vem sendo empregado na agricultura paulista. O atraso, segundo o gerente da multinacional, decorre do fato de tradicionalmente o agricultor esperar pelo lançamento de tecnologias oficiais de entidades como a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento.

No caso do plantio direto, ele surgiu diretamente entre agricultores e de empresas do setor agrícola e, assim, o setor “preferiu” esperar pelo entrosamento oficial. A Cati e a Embrapa, empresa de tecnologia agrícola do governo federal, hoje não só apóiam como investem no desenvolvimento do setor.

Segundo Scaléa, o “pulo do gato” do plantio direto no interior paulista será no plantio de grãos em áreas de pastagens. “Temos perto de sete milhões de hectares de baixa fertilidade”, avalia. Os técnicos da Cati, juntamente com os da Monsanto, estão para lançar uma série de 100 áreas demonstrativas de cultivo de grãos em terras de pastagens. Áreas de Batatais e mesmo de Ribeirão Preto, conforme o engenheiro, estão incluídas na listagem.

A estratégia, nessas áreas, é a de cultivar grãos que não exijam muito do solo já degradado. É o caso do sorgo, mais rústico, ou da soja. O milho, mais exigente, vem na seqüência.

Para o produtor de cana-de-açúcar, Scaléa – que está há 23 anos na Monsanto – não sugere o cultivo de milho durante a fase de renovação de canaviais. “Como o milho é uma gramínea, como a cana, não é recomendado”, observa. Ele sugere a soja, que explora o solo e disponibiliza resíduos fortificantes a serem explorados pela cana. Segundo ele, o mercado já oferece sementes de soja e de milho super-precoces, com ciclos entre 105 a 110 dias.

Para o produtor rural da região que se prepara para a safrinha, Scaléa indica o sorgo, por ser mais resistente à períodos de seca em relação ao milho, e “que tem sido muito requisitado pela indústria de rações para animais de estimação”.

Conforme ele, o plantio direto é parceiro dos organismos geneticamente modificados – os transgênicos -, mas não prepara o terreno para a entrada dessa biotecnologia, ainda controversa na agricultura brasileira. “A biotecnologia permite ampliar a produção agrícola com melhoramentos genéticos e a transferência de genes de determinados tipos de culturas para outras cujo cruzamento natural seria impossível”, observa. “O plantio direto, por favorecer as condições do solo, é uma importante ferramenta”.

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