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Mistura do álcool pode ser reduzida

O governo estuda reduzir a mistura do álcool anidro na gasolina (hoje em 25%) no segundo semestre por um período de, pelo menos, um ano. A medida faz parte da política permanente que está sendo elaborada pela equipe econômica para garantir o abastecimento de etanol e minimizar os impactos da entressafra da cana-de-açúcar nos preços dos combustíveis. Segundo os técnicos, o setor sucroalcooleiro vem reclamando não só da redução da mistura, mas da estratégia do governo de mexer no percentual de forma imprevisível e, normalmente, por um tempo curto, o que dificulta a formação de estoques.

— O maior problema do setor é o ir e vir da mistura — disse um técnico, lembrando que isso acaba fazendo com que os produtores não queiram formar estoques maiores de etanol, mas vender o produto antes de uma eventual redução do percentual adicionado à gasolina.

Já a ideia de mexer na mistura agora divide o governo, sendo endossada pelo Ministério de Minas e Energia, mas rejeitada pelo Ministério da Fazenda. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, tem defendido a redução e dito que acredita estar havendo abusos por parte dos produtores nos preços do etanol.

Já a Fazenda argumenta que baixar o percentual de álcool adicionado à gasolina agora só teria efeito nas bombas em um mês, quando o produto já estará mais barato devido ao fim da entressafra. Portanto, isso acabaria sendo mais um fator de pressão sobre a inflação, porque seria ampliada a quantidade de gasolina, que é mais cara, no combustível nas bombas.

O primeiro passo para a nova política do setor de etanol foi dado ontem, com o anúncio de uma medida provisória que amplia a margem com a qual a equipe econômica pode trabalhar se tiver que mexer na mistura. Esse intervalo, que h oje varia entre 20% a 25%, passou para 18% a 25%. Ele dá mais margem de manobra ao governo caso os preços do álcool disparem. A MP também deu à Agência Nacional do Petróleo (ANP) o poder de regular os estoques de etanol no país.

Usineiros reduziram investimentos na produção

A preocupação do governo com o setor está no fato de que o período de entressafra da cana ainda promete ser um grande problema nos próximos anos. Enquanto a demanda vem crescendo ano a ano, a oferta do produto caiu a partir de 2008. Isso porque as usinas encontraram no açúcar um mercado atraente diante da alta dos preços das commodities no mercado internacional.

Além disso, os usineiros reduziram seus investimentos na produção no último triênio para poderem resolver problemas financeiros decorrentes da crise global e de fatores climáticos.

Dentro da nova política também está sendo discutida a criação de uma linha de financiamento com o objetivo de incentivar a produção, um plano par a aumentar a eficiência do combustível e um acordo com os estados para que o ICMS — que hoje varia de 12% a 15% no país — seja reduzido.

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