Usinas

TJ autoriza terceira usina a ser gerida por canavieiros em PE pelo modelo cooperativista profissional da OCB

Previsão é de gerar mais de 5 mil postos de trabalho na Mata Sul, já a partir de setembro deste ano em Pernambuco

José Melicio Carneiro Leão Neto (vice presidente da CoafVale/Coopervale), Alexandre Andrade Lima (presidente da Coaf e da AFCP), Tarcísio Calábria  (tesoureiro da Coaf) e Severino Barbosa de Sousa Neto
José Melicio Carneiro Leão Neto (vice presidente da CoafVale/Coopervale), Alexandre Andrade Lima (presidente da Coaf e da AFCP), Tarcísio Calábria (tesoureiro da Coaf) e Severino Barbosa de Sousa Neto

O cooperativismo profissional do setor sucroenergético pernambucano passa a contar com mais uma usina a ser gerida por tal modelo a partir da próxima safra, em decorrência da decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) na quarta-feira (13).

A juíza Valéria Maria Santos Máximo, da Seção A da 3ª Vara Cível da Capital, concluiu o julgamento da ação n° 0061741-04.2023.8.17.2001. A magistrada autorizou o arrendamento da usina Pumaty (na cidade de Joaquim Nabuco) pela Cooperativa do Vale (CoafVale, mais conhecida por Coopervale).

No estado, pelo mesmo modelo, já há a Coaf em Timbaúba, desde a safra 2015-16, na antiga usina Cruangi; e a CooafSul em Ribeirão, na antiga Estreliana, desde a safra 2020/21.

“A Coopervale seguirá o mesmo padrão das demais ‘Coafs’ por meio do sistema da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB-PE)”, fala Alexandre Andrade Lima, presidente da Coaf e espécie de fiador do contato das famílias (Gesteira e Costa) proprietárias da Pumaty com a CoafVale, pelas quais ele é grato. O contrato de arrendamento, por sinal, estava firmado desde 2023, e aguardava validação do Poder Judicial.

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Apesar do nome homônimo, cada Coaf tem a sua gestão independente e um grupo de canavieiros cooperados distintos em sua maioria. A Coaf em Timbaúba é liderada por Andrade Lima, que também preside a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). A CooafSul e a CoafVale têm como presidente Carlos Antônio César de Albuquerque Filho (Caca).

Na safra que terminou há pouco, a Coaf, com mais de 1,7 mil cooperados, moeu cerca de 800 mil toneladas de cana na Mata Norte. E gerou uns 5 mil empregos diretos. A CooafSul, com 2 mil cooperados, moeu a metade na Mata Sul. A usina Pumaty, sob gestão da Agrocan, esmagou 550 mil.

Na decisão do TJ, por sinal, a CoafVale está desobrigada de arcar com qualquer passivo . “O trabalho na unidade já começa. Cerca de 200 trabalhadores começarão assim que a cooperativa tomar posse. O trabalho será de preparação da usina para iniciar a moagem em setembro, quando mais 300 vagas serão abertas. E mais 5 mil postos no campo. A previsão é de que seja moída até 850 mil toneladas”, diz José Melício Carneiro Leão Neto, vice-presidente da CoafVale.

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Para Lima, juntamente com a diretoria das demais Coafs, como também para Malaquias Ancelmo de Oliveira, presidente da OCB em Pernambuco, a justiça está sendo feita e quem sairá ganhando é o povo de Pernambuco, em especial da região canavieira, através do cooperativismo profissional tocado pelos canavieiros, criando empregos e movimentando a economia pela tradição da cana.

A decisão da juíza no processo se baseou, inclusive, respaldada pela vontade das famílias proprietárias da Pumaty, e por pareceres favoráveis do atual responsável pela recuperação judicial da usina e também do Ministério Público de Pernambuco. A AFCP atuará na região para estimular que os fornecedores de cana a fortalecer o cooperativismo local, somando forças à CoafVale. “Trabalharei neste sentido de  pacificar nossa região e com certeza teremos bons frutos a todos”, fala Lima.

A presença de cooperativas na região não significa competir, concorrer ou prejudicar as usinas mercantis da região. Complementam as atividades através de uma outra forma de produção e organização. “A chegada da CoafVale é uma promessa importante que vem somar às outras usinas que já são comprovadamente um sucesso na atividade da cana de açúcar. Ademais, o desenvolvimento do cooperativismo é um ganho, também, porque verticaliza a atividade, gera trabalho e renda, sobretudo para os pequenos plantadores de cana”, avalia Malaquias e reforça o apoio total do Sistema OCB.

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