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Mudanças climáticas têm forte impacto no setor de energia

Informações meteorológicas são importantes para a operação eficiente de empresas de geração, transmissão, distribuição e comercialização

Mudanças climáticas têm forte impacto no setor de energia

O setor elétrico brasileiro é fortemente impactado pelas mudanças climáticas em toda a extensão da cadeia, o que inclui as operações de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, e esta situação vem elevando a demanda por informações sobre cenários meteorológicos futuros como forma de as empresas se planejarem para esses impactos.

Estas foram algumas das conclusões do I Encontro Nacional de Mudanças Climáticas para o Setor de Energia – EMSE, realizado pela Climatempo, no início de outubro, no Parque Tecnológico de São José dos Campos – SP.

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“As mudanças climáticas representam um dos principais desafios para as empresas de energia, cujas operações são duramente impactadas pelos fenômenos meteorológicos”, afirmou Vitor Hassan, head da vertical de energia da Climatempo, que acompanha diariamente o efeito da ação do clima sobre o setor.

No segmento de transmissão, por exemplo, as condições meteorológicas adversas e as queimadas, também relacionadas ao clima, foram responsáveis por quase a metade das causas de perturbação no Sistema Interligado Nacional (SIN) em 2022, segundo apontou Sergio Antezana, superintendente de transmissão da Alupar, com dados do ONS (Operador Nacional do Sistema), no evento.

Segundo ele, o problema pode se agravar se considerarmos que o SIN, que possui hoje 180 mil quilômetros de extensão em linhas, será expandido e deve chegar a 216 mil quilômetros em 2027. Destaca-se, nesse contexto, que o segmento de transmissão tem o desafio de colaborar com o clima e com a transição energética cada vez mais limpa no Brasil, viabilizando o aproveitamento das novas fontes renováveis sem perder a segurança operativa.

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No segmento de distribuição, que contabiliza 3,9 milhões de quilômetros de redes, 99% delas aéreas e concentradas nos centros urbanos, as preocupações climáticas são praticamente as mesmas. Em 2022, 47% das interrupções de fornecimento de energia foram causadas por eventos de meio ambiente, incluindo ventos fortes e descargas atmosféricas. Foram 7,91h das mais de 17,7h interrompidas, segundo dados da ANEEL (Agência Nacional e Energia Elétrica) destacados no encontro por Lindemberg Reis, gerente de Planejamento e Inteligência de Mercado da ABRADEE.

As informações meteorológicas também são essenciais para tornar o planejamento operacional ainda mais eficiente. O segmento vem investindo pesado em melhoria e renovação, com R$ 11,5 bilhões aplicados no ano passado, visando a maior confiabilidade da rede de distribuição, que já permanece 99,88% do tempo com o serviço disponível, segundo a ABRADEE, entidade que reúne as 39 distribuidoras.

“Fogo, tempestades, raios e ventos fortes são exemplos de condições adversas que afetam o desempenho das linhas e podem ocasionar apagões no país. Nesse cenário, tornou-se extremamente importante contar com informações meteorológicas para o planejamento de prevenção e manutenções das linhas, bem como para prever demandas energéticas regionais em função da variação de temperatura”, ressalta o head da vertical de energia da Climatempo.

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Os impactos na geração e comercialização

No lado da geração, as informações climáticas no contexto das mudanças vivenciadas em função do Efeito Estufa na atmosfera são primordiais, pois há influência no regime de chuvas e de vazão do SIN dentro da matriz nacional, em que 70% da energia gerada são provenientes de hidrelétricas.

O clima e suas mudanças também interferem nas fontes complementares eólica e solar, para as quais as informações meteorológicas colaboraram nas previsões de geração. A Climatempo, inclusive, lançou recentemente o Wind, novo módulo de previsão de geração eólica para empresas cujas operações dependem do regime dos ventos. O Wind integra o Sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo (SMAC).

A disponibilidade dessas fontes de geração interfere no preço de referência da energia no mercado, também conhecido como PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que oscila principalmente por conta dos níveis dos reservatórios e despacho das hidrelétricas. Nesse sentido, para as comercializadoras de energia, a ciência meteorológica dentro do contexto de mudanças climáticas é igualmente essencial para as negociações de energia no mercado de curto prazo ou para contratos futuros.

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Com a abertura cada vez mais ampla do Mercado Livre de Energia e a previsão de atingir até os consumidores residenciais da baixa tensão em alguns anos, o papel das comercializadoras ganha mais relevância, e uma operação eficiente é primordial, conforme destacou no evento Silla Motta, fundadora e CEO da Donna Lamparina.

Além do Mercado Livre de Energia oferecer condições mais competitivas em termos de preço para os consumidores – desde a sua criação em 1995, até o início de outubro, os consumidores livres economizaram mais de R$ 375,8 bilhões, segundo a Abraceel –, ele se torna protagonista na expansão da energia limpa no Brasil. Isso porque o Mercado Livre responde por 83% dos contratos das usinas de fontes renováveis em construção, que somam 45 GW de capacidade instalada e têm início de operação previstos para 2026, de acordo com a associação que congrega as comercializadoras.

A edição 2024 do EMSE já está confirmada e debaterá os setores de energia e agricultura, apontando as ideias e ações das principais empresas desses ecossistemas relacionadas ao comprometimento com a agenda da ONU. Além disso, a Climatempo criou o Comitê Energia, que reunirá as principais empresas do setor em encontros mensais para discutir propostas de ações e contribuições ao meio ambiente. Os interessados em participar do Comitê Energia devem entrar em contato com a Climatempo pelo email: [email protected]

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