Mercado

Usinas: inadimplência com fornecedores permanece

Na região de Ribeirão Preto, a mais tradicional de São Paulo cerca de metade das 23 usinas estão atrasadas no pagamento de seus fornecedores de cana. A condição está provocando uma distorção no mercado, segundo Manoel Ortolan, presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste de São Paulo (Canaoste).

“As usinas que estavam, até agora, pagando em dia, agora estão se aproveitando da situação e chamando os plantadores para negociar condições desvantajosas para a fornecimento de cana na próxima safra”, reclama Ortolan.

Pelas regras do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana/SP), as usinas adiantam 80% do pagamento durante a safra, ou seja, até dezembro, e o restante em três parcelas pagas nos meses de janeiro, fevereiro e março.

“Mas agora as empresas estão querendo pagar menos de adiantamento, o que vai prejudicar o fornecedor que completa neste ciclo a segunda safra com prejuízo”, pondera o presidente da Canaoste, que representa 2,5 mil fornecedores de cana da região de Ribeirão Preto.

Nesta safra, a estimativa é que a remuneração por quilo de ATR (açúcar total recuperável) seja de R$ 0,28, o que eqüivale a R$ 40 por tonelada, enquanto o custo está em R$ 49. “Na safra passada, tivemos o mesmo custo e uma remuneração ainda mais baixa por tonelada, de R$ 36”, compara.

Das cerca de dez usinas que estão com atraso de pagamento, cinco são unidades da Santaelisa Vale, segundo Ortolan. Com uma dívida próxima de R$ 3 bilhões, a maior parte com bancos, a companhia analista neste momento proposta de oito empresas interessadas em compra, entre elas o grupo São Martinho e a GP Investiments.

Mas, ainda não há uma proposta fechada e, o prazo de encerramento das negociações está mantido para abril. “Até o momento, a proposta da São Martinho não é a melhor das propostas. A Santaelisa Vale está tentando melhorar a proposta”, diz uma fonte próxima das negociações.

“Essa incerteza sobre o futuro da Santaelisa deixa o fornecedor inseguro sobre para onde vai vender cana”, diz Ortolan.

Há décadas fornecedora de cana da companhia, Cristina Pinho de Almeida, está na expectativa de fechamento das negociações da Santaelisa para definir como vai comercializar a matéria-prima nesta safra.

“Sabemos pelos jornais do que está acontecendo com a empresa. Se não fechar a venda para nenhum grupo, a empresa pode conseguir alongar dívida com bancos ou reduzir a moagem. Acredito em uma solução. Mas estamos próximos do nosso limite para definir se vamos continuar com Santaelisa, pois se uma solução não for encontrada, depois não conseguimos negociar com outro grupo, pois vai ter muita oferta”, diz Cristina.

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