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Trigo irrigado pode se adaptar bem ao cerrado, segundo Embrapa

O trigo irrigado pode ser uma opção de cultura rentável para o cerrado, no período de inverno. A conclusão é do pesquisador da Embrapa Cerrado, uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), José Maria Vilela.

Segundo o pesquisador, o trigo do cerrado é o primeiro a ser colhido no Brasil. Com isso, ele informa, alcança maiores preços. Ele explica também que a cultura sofre pouco ataque de pragas e doenças. Outra vantagem é que a produção do trigo deixa palha para o plantio direto.

O pesquisador informa que a produção do trigo favorece a rotação de culturas, porque rompe com o ciclo de doenças e pragas de soja, feijão e hortaliças.

De acordo com Vilela, o clima seco do cerrado favorece a produção. O cerrado tem dois períodos de plantio. Em fevereiro é plantado o trigo sequeiro e, em abril e maio, a cultura irrigada.

A colheita do trigo irrigado é realizada entre 15 de agosto e o final de setembro. “Quanto mais cedo for a colheita, melhor, para evitar o período das chuvas”, explica Vilela.

Para obter alta produtividade, o pesquisador alerta que é importante observar o calendário de plantio e evitar que o trigo tome chuva antes da colheita.

O técnico aponta a incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as importações como uma vantagem para os produtores nacionais. Segundo ele, o trigo do cerrado pode competir com o grão importado principalmente da Argentina.

O Brasil produz 5,5 milhões de toneladas de trigo por ano e importa cerca de 50% do que é consumido. Segundo Vilela, o Brasil reduziu a produção e aumentou a importação, a partir de 1990, com a abertura do comércio de trigo.

“Houve um desestímulo à produção. A qualidade do trigo de outros países era melhor e os compradores tinham um prazo maior para pagar”, afirma.

Segundo o pesquisador, a região Sul produz 4,8 milhões de toneladas do produto por ano. São Paulo e Mato Grosso do Sul ficam em segundo lugar no volume de produção, com 200 mil toneladas por ano. A região do cerrado é responsável por 150 mil toneladas, por ano. (Fonte: Agência Brasil)

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