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Tecnologia brasileira do biodiesel...

Empresa cearense ajudará a construir unidades para a produção do combustível. e conduzida pelo pesquisador Miguel Dabdoub, anunciou, no começo do ano, aliança com a Earth Biofuels, Inc. (EBI), empresa norte-americana sediada no Texas e que tem entre seus acionistas o ator Morgan Freeman. Por esse projeto, Dabdoub, chamado de “parceiro estratégico” no site da companhia norte-americana, irá fornecer tecnologia e comandar, a partir do segundo semestre deste ano, a construção de dez fábricas de biodiesel para a Earth Biofuels, em sete estados localizados no Sul dos Estados Unidos.

Aos poucos, o Brasil vai se tornando um importante exportador da tecnologia que utiliza como matéria-prima óleos vegetais (de soja, mamona, dendê, babaçu, entre outros). O curioso é que, ao contrário do álcool – outro combustível utilizado no Brasil que tem despertado grande interesse no mercado externo -, a produção de biodiesel ainda engatinha no País, com uma oferta anual pífia, inferior a 100 milhões de litros por ano.

A explicação para o fraco desempenho do biodiesel no País, de acordo com Parente, é que “o governo brasileiro preferiu centralizar toda a sua atenção ao Proálcool”, programa de incentivo à produção do combustível derivado da cana-de-açúcar, criado em 1975. Assim, diz o engenheiro cearense, o Brasil perdeu a oportunidade histórica de se tornar, ainda na década de 80, o principal produtor mundial de biodiesel.

“Só agora, quase 30 anos depois da minha descoberta, é que o governo se deu conta da importância do biodiesel para a matriz energética brasileira”, diz Parente, que ainda teve de assistir a ascensão do combustível, “criado por ele”, na Alemanha. “Nos anos 80, os alemães levaram o projeto do biodiesel a sério e hoje eles são os maiores produtores mundiais, com uma oferta superior a 2 bilhões de litros por ano”, afirma o engenheiro cearense.

Tecbio receberá royalties

A aliança com a espanhola Tomsa prevê o repasse de royalties a Tecbio toda a vez que a companhia de Madri fechar a venda de uma unidade industrial de biodiesel. “Também vamos receber pelos serviços de assistência tecnológica prestados aos responsáveis pela operação das usinas”, diz Parente, que esteve em Madri na semana passada para acertar os detalhes do projeto.

Pelo acordo assinado na semana passada pela Tecbio, Parente cumprirá praticamente o mesmo papel realizado pelo pesquisador de Ribeirão Preto, ou seja, vai repassar o seu conhecimento para a empresa espanhola, enquanto a Tomsa cuidará do contato com os clientes internacionais interessados na construção de usinas de biodiesel, além do fornecimento dos equipamentos necessários para o desenvolvimento da projeto.

“A fábrica de Madri está orçada em torno de € 10 milhões e utilizará como matéria-prima o girassol e o metanol (o álcool derivado do petróleo)”, conta Parente. “Estamos em fase final de negociação com a China, Filipinas e Tailândia e os projetos devem ser assinados no próximo mês”, prevê Parente. As plantas de Madri e as do continente asiático terão capacidade para produzir de 100 mil a 300 mil litros de biodiesel por mês. Parente calcula que as fábricas, que serão construídas quase que simultaneamente, ficarão prontas em prazo máximo de dez meses.

Segundo o presidente da Tecbio, a Tomsa – empresa criada em meados do século 19 e que inicialmente se dedicava à fabricação de alambiques para a produção de aguardentes de vinho – tem experiências bem-sucedidas na construção de destilarias no mercado internacional, com as fábricas instaladas em países como México, Cuba, Marrocos e República Dominicana. “A Tomsa é uma empresa tradicional, com uma grande infra-estrutura comercial, inclusive com escritórios de representação em algumas partes do mundo”, afirma.

No Brasil, o principal projeto entregue pela Tecbio é uma unidade industrial com capacidade para 90 mil litros diários de biodiesel situada no município de Floriano, no Piauí, que pertence à empresa Brasil Ecodiesel.

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