Mercado

Segunda fase da política industrial vai priorizar setor com gargalo na produção

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, disse ontem que a segunda fase da política industrial, que está sendo desenvolvida pelo governo, deverá priorizar os setores que enfrentam gargalos de produção.

“Estamos ultimando entendimentos para a apresentação da política que contemplará as cadeias produtoras de bens de capital [máquinas e equipamentos] e dará atenção especial àquelas que estão tendo dificuldade de entrega”, disse.

Na semana passada, o presidente Lula afirmou que pretendia anunciar programas de incentivo ao aumento da capacidade instalada de fornecedores da Petrobras. O presidente mostrou preocupação com a possibilidade de atrasos em projetos da Petrobras incluídos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Coutinho disse que se reuniu na segunda-feira com representantes da Abdib (Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base) para discutir o que pode ser feito para diminuir o hiato entre a capacidade de oferta e a demanda por equipamentos, não só na área da Petrobras. Ele citou como exemplos a área de produção de álcool e os bens de capital para construção civil e automóveis.

Segundo Coutinho, a Petrobras está acelerando investimentos em várias atividades, desde a exploração e produção de petróleo até a construção de gasodutos, plataformas e refinarias, entre outros.

“A indústria de bens de capital passou muitos anos desmobilizada. Ela precisa ser mobilizada novamente e é preciso ultrapassar as dificuldades, os obstáculos para poder entregar [as encomendas] o mais próximo possível dos prazos desejados pela Petrobras.”

Coutinho afirmou que há espaço para redução dos prazos de análise de financiamentos de bens de capital no banco e o aprimoramento da análise de pedidos via “project finance”, modelagem pela qual o próprio projeto e suas receitas futuras são a garantia do empréstimo.

“Os bens de capital terão tratamento preferencial”, disse. Ele ressaltou que há necessidade de alterações em aspectos tributários. “No campo do financiamento, podemos fazer melhorias incrementais, mas há outras melhorias no campo do tratamento tributário que também precisam ser feitas.”

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