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Seca reduz faturamento sucroalcooleiro no NE

O segmento sucroalcooleiro do Nordeste deve deixar de faturar US$ 500 milhões nesta safra 2005/06 (em fase final de comercialização) em virtude da estiagem que afetou a produção de cana da região pela segunda temporada consecutiva.

Segundo o Sindicato das Indústrias do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar/PE), a produção em 2005/06 deverá alcançar 48 milhões de toneladas, 15,7% menos que em 2004/05. Por isso, diz Renato Cunha, presidente da entidade, as usinas nordestinas não estão aproveitando a boa fase dos preços de açúcar e álcool como as concorrentes do Centro-Sul.

Em Pernambuco, onde a colheita já cobriu 98% da área plantada, a redução da produção se aproxima de 3 milhões de toneladas. As usinas do Estado devem esmagar 13,7 milhões de toneladas de cana, 17,87% menos que em 2004/05. Por conta da seca, Cunha estima que 45 mil postos de trabalho ligados à atividade tenham sido perdidos. No Nordeste, cerca de 350 mil pessoas trabalham ligadas diretamente ao segmento canavieiro.

A queda de faturamento provocada pela perda das 9 milhões de toneladas está ligada à alta dos preços do açúcar e do álcool. Estima-se que, com a quebra, deixarão de ser produzidos 800 mil toneladas de açúcar e 400 milhões de litros de álcool nos Estados produtores do Nordeste – com perdas de US$ 300 milhões e US$ 200 milhões, respectivamente.

“O problema está nos ativos das usinas, no caso as próprias plantações. Foram realizados altos investimentos em socarias, por exemplo. Esta perda não tem como ser recuperada”, observa Cunha.

Uma das alternativas para o setor, no caso específico de Pernambuco, está na retomada de uma nova edição dos Programas de Revitalização Canavieira das Zona da Mata Norte e Sul (Prorenor e Proresul), que em sua primeira fase auxiliou na recuperação dos canaviais que haviam sido prejudicados pela estiagem.

Orçado em R$ 6 milhões – recursos a fundo perdido -, oriundos do próprio Tesouro estadual, esse programas visam auxiliar os fornecedores de cana, que por não possuírem sistemas de irrigação amargam perdas de até 50% em suas colheitas. Os recursos podem ser utilizados na aquisição de insumos e mudas para recuperar as que foram perdidas. O projeto deverá ser votado na próxima semana pela Assembléia Legislativa estadual, segundo o vice-líder do governo, Henrique Queiroz (PP).

Além de cobrar políticas estruturadoras de segurança hídrica, os usineiros nordestinos querem a retomada do programa de equalização canavieira, suspenso há cinco anos. Cunha calcula que os produtores da região deixaram de receber de lá para cá R$ 1,1 bilhão, valor correspondente a 227 milhões de toneladas de cana. “Os produtores regionais reclamam de quebra contratual por parte do governo federal em relação à equalização. Se o programa não for retomado, deveremos ingressar com uma ação na Justiça para resolver o impasse”, afirma Cunha.

A equalização servia para compensar os nordestinos por seus custos de produção mais elevados que no Centro-Sul do país.

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