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Santelisa Vale pretende abrir capital em 2008

A Santelisa Vale SA, a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do Brasil, planeja abrir capital no período de seis meses a um ano para financiar sua expansão. “Nós vamos preparar a empresa para vender ações em bolsa”, disse ontem Anselmo Lopes Rodrigues, presidente da Santelisa.

Concretizada a fusão, as empresas que formam o novo grupo são umas das mais tradicionais do país, com mais de 70 anos de história e referência em tecnologia e inovação no setor.

Neste momento, o grupo entra numa nova fase de expansão: investe na construção de novas usinas e diversifica os negócios em busca da liderança mundial na oferta de soluções de energia renovável. O crescimento conta com parceiros internacionais como o banco Goldman Sachs, o Açúcar e Álcool Fundo de Investimentos e Participações (FIP) e a The Dow Chemical.

O Grupo Santelisa Vale Bioenergia S/A é o principal negócio da controladora Santelisa Vale S/A, formada pelas famílias Biagi e Junqueira, além da unidade de commodities do banco de investimentos Goldman Sachs e sócios minoritários. São quatro unidades industriais formadas a partir da fusão: as usinas Santa Elisa (Sertãozinho-SP), Vale do Rosário (Morro Agudo-SP), MB (Morro Agudo-SP) e Jardest (Jardinópolis-SP). A holding também tem participação em mais duas usinas, 65% na Continental (Colômbia-SP) e 50% na Tropical Bioenergia, em Edéia (GO), unidade que começa a operar a partir de 2008.

O processo de fusão, iniciado em fevereiro e que acaba de ser concluído, tem como base a governança corporativa, práticas implantadas nas empresas do grupo há três anos, o que colaborou para a administração profissionalizada. Hoje, nessa fase de expansão, todas as áreas do grupo trabalham com maior eficiência e sinergia.

O grupo Santelisa Vale tem 14 mil funcionários distribuídos nas cinco usinas em operação e estimativa de moer em 2007 cerca de 18 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Seu faturamento é de R$ 1,8 bilhão e lucro de R$ 170 milhões. A área plantada de cana é de 240 mil hectares, com aproximadamente 60% da colheita mecanizada, superando o índice determinado por lei, que é de 30%.

As usinas devem produzir 22 milhões de sacas, sendo que 10,8 milhões serão destinados para exportação e 11,2 milhões para o mercado interno. Serão 723 milhões de litros de álcool produzidos, com destinação de 26,8 milhões de litros para o mercado externo e 664 milhões para o interno. São comercializados 417 mil Mwh de excedente de energia elétrica co-gerada a partir do bagaço da cana-de-açúcar. Essa quantidade seria capaz de suprir o consumo de energia elétrica de uma população residencial de 1 milhão de habitantes em um ano.

A nova empresa também controla 72,6% da Crystalsev, que tem sede em Ribeirão Preto, e está entre as maiores empresas que comercializam álcool, açúcar e energia do país. A Crystalsev representa 13 usinas nacionais na comercialização para o mercado interno e externo e investe pesado em logística, um grande diferencial de competitividade no setor. Tem participações em terminais de exportação de álcool em Santos, e de açúcar, no Guarujá. É sócia de uma empresa retificadora de álcool em El Savador e de uma refinaria de açúcar que está sendo construída na Síria.

A Crystalsev é um bom exemplo do momento de expansão e diversificação que vive o grupo SantelisaVale. Recentemente, anunciou a criação de uma joint venture em parceria com a empresa americana The Dow Chemical para formar um dos primeiros pólos alcoolquímicos do mundo. A nova empresa deve começar a produzir polietileno em 2011 a partir de etanol.

O grupo Santelisa Vale conduz também o processo de implantação das quatro novas usinas da Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), que já está em andamento. É uma empresa criada em sociedade com o Açúcar e Álcool Fundo de Investimentos e Participações (FIP). Duas das unidades já estão sendo construídas nos estados de Minas Gerais e Goiás, a Central Itumbiara Bioenergia e Alimentos Ltda. (GO) e a Ituiutaba Bioenergia Ltda. (MG), previstas para operar no segundo semestre do ano que vem. Em 2009, entram em operação as unidades Campina Verde Bioenergia Ltda. e Platina Bioenergia S.A, ambas em Minas Gerais.

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