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Rumo ALL pretende captar R$ 2 bilhões

Rumo ALL pretende captar R$ 2 bilhões

A operadora logística Rumo ALL (ex-América Latina Logística) planeja fazer um aumento de capital para levantar cerca de R$ 2 bilhões. Os recursos serão obtidos a partir de uma oferta pública de 1,5 bilhão de ações ordinárias. A medida foi aprovada em reunião do conselho de administração da empresa na última segunda-feira, conforme fato relevante que divulgou.

A companhia também pretende captar R$ 1 bilhão por meio do fundo FI-FGTS, destinado a projetos de infraestrutura, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

Mas antes de ir ao mercado para levantar esses recursos, a companhia – operadora portuária e concessionária ferroviária responsável pelo escoamento da maior parte da safra de grãos do País – deverá fazer realongamento de sua dívida. Na reunião de segunda-feira, o conselho também aprovou a contratação de empresas financeiras para esta tarefa.

O endividamento líquido da Rumo ALL é de R$ 7,8 bilhões (dados referentes ao quarto trimestre de 2015), dos quais um total de R$ 1,4 bilhão vence neste ano, outros R$ 2,3 bilhões no ano que vem e R$ 2,4 bilhões em 2018. Os maiores credores são bancos comerciais: Bradesco, Itaú, Santander e HSBC (comprado pelo Bradesco no País).

A operadora logística precisa mudar o perfil de sua dívida e levantar capital para tocar seus ambiciosos projetos de expansão. As negociações envolvendo os bancos já estão em andamento. Após a mudança no perfil da dívida, a proposta de aumento de capital será apresentada ao mercado.

A ALL trocou de mãos no ano passado e passou a ter o grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, como maior acionista individual da empresa, com 26,3% do negócio. As gestoras TPG (Texas Pacific Group) e Gávea, além do BNDES, também fazem parte do bloco de controle do grupo.

Em janeiro, os membros do conselho de administração do grupo desistiram de fazer um aumento de capital na companhia, uma vez que as ações da ferrovia vinham registrando forte queda e as condições macroeconômicas não estavam favoráveis para fazer a captação. Agora, próxima de encaminhar as negociações com os bancos credores, a Rumo-ALL decide voltar ao mercado.

Nesse processo de aumento de capital, os atuais acionistas da empresa terão prioridade para fazer as subscrições das ações. A própria Cosan Logística deverá colocar capital na companhia e outros sócios podem ir pelo mesmo caminho.

Rumo ALL administra a malha férrea entre o Centro–Oeste e Santos

Fundos

O grupo Cosan chegou a ser sondado por fundos de investimentos interessados em ter uma participação na Rumo ALL. Foi o caso do fundo soberano de Abu Dabi, o Adia. No entanto, as negociações não avançaram, de acordo com outra fonte de mercado. Há outros fundos de investimentos que estariam interessados em uma fatia da companhia, segundo a mesma fonte.

A Rumo ALL tem um plano de investir de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões nos próximos anos, para promover a expansão da companhia. No entanto, a nova administração tem desafios pela frente, como a renovação da concessão ferroviária antes de colocar seus planos de expansão em prática. Além disso, tem de fazer corte de custos e melhorias operacionais em sua atual malha férrea, que está sucateada. Fontes familiarizadas com o assunto afirmam que as reduções de custos estão em andamento e a companhia ferroviária já colocou em prática plano para elevar o escoamento de grãos.

A expectativa é de que, com o aumento da safra de grãos previsto para este ano, os volumes transportados pela operadora cresçam e melhorem as margens da empresa.

Chancela

A fusão entre Rumo e ALL foi bem vista no governo, uma vez que a antiga administração da companhia enfrentou, nos últimos anos, diversos problemas para conseguir honrar seus contratos.

Com uma malha ferroviária de cerca de 12 mil quilômetros, a Rumo ALL é responsável por boa parte do escoamento de grãos do Centro-Oeste até o Porto de Santos. Procurada, a Cosan não comentou o assunto. O Adia não retornou os pedidos de entrevista.

Fonte: (A Tribuna online)

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