Mercado

Representantes de investidores privados no setor de energia elétrica...

Representantes de investidores privados no setor de energia elétrica, ciceroneados pelo presidente da Eletrobrás, Aloisio Vasconcellos, serão recebidos hoje no BNDES. Os investimentos em energia elétrica precisam ser destravados para que o país não volte a ser ameaçado por outro racionamento de eletricidade no fim desta década. O licenciamento ambiental é naturalmente moroso, mas no caso de futuros aproveitamentos hidrelétricos essa questão foi resolvida com a decisão de somente se licitar usinas que tenham licenças prévias concedidas pelo Ibama (ou órgãos estaduais), a pedido da Agência Nacional de Energia Elétrica. E como a Aneel atualmente é dirigida por ex-egresso da área de controle de recursos hídricos, o diálogo ficou um pouco mais fácil com o Ibama.

No entanto, não está devidamente equacionado o financiamento para os projetos. Se o próprio BNDES tem dúvidas sobre a rentabilidade das novas hidrelétricas, como atrair investidores para o setor? Os preços da energia vendida pelas geradoras no leilão da semana passada se aproximou de R$ 100, o que deixou as empresas mais animadas. Mas sem financiamento não há quem construa uma hidrelétrica.

A privatização de estatais federais foi descartada pelo atual governo, e assim a Eletrobrás passou a ter novamente uma participação ativa no setor, só que agora com uma estratégia voltada para parcerias: suas subsidiárias entram como sócias minoritárias para viabilizar ou acelerar a construção de hidrelétricas cujas concessões foram adquiridas em leilões por companhias privadas.

Esse é o caso, por exemplo, da usina de Foz de Chapecó, com potência de 855 megawatts, no Rio Grande do Sul. Furnas deve ficar com 40% do empreendimento e a obra poderá ser tocada dentro de pouco tempo, pois já tem as licenças ambientais.

Na mira da Eletrobrás estão ainda as usinas de Serra do Facão (Goiás) e Salto do Pilão (Santa Catarina) — o desafio lá será preservar o que os amantes de esporte radical, e em especial dos que gostam de enfrentar corredeiras em botes, consideram o melhor rafting do Brasil — e Estreito, esta última, de mais de 1.200 megawatts, no Rio Tocantins, na divisa com o Maranhão. Chesf e Eletronorte devem se consorciar para adquirir 49% de Estreito. O controle acionário permanecerá com a Tractebel e a Vale do Rio Doce. Uma quinta usina, São Salvador (também da Tractebel), está na lista, mas nenhuma subsidiária da Eletrobrás se candidatou ao projeto, ainda.

Na corrida contra o tempo, a Eletrobrás espera no ano que vem engajar escolas, hospitais, supermercados, shopping centers, clubes, condomínios e os programas de habitação popular no esforço para conservação de energia.

Este ano, a economia permanente obtida com a conservação de energia correspondeu à construção de uma hidrelétrica com capacidade de 400 megawatts. Em 2006, a meta é buscar uma economia de mais de 500 megawatts.

No convênio que a Eletrobrás assinou com a Caixa Econômica Federal, está previsto que novas habitações populares não terão chuveiro elétrico, mas contarão com um kit de energia solar para aquecimento de água. Com isso, acredita-se que a conta de luz dessas famílias será de no máximo R$ 10 por mês.

Aloísio cita como outro exemplo o desperdício de energia nos clubes. Piscinas podem ser aquecidas por energia solar e já existem equipamentos que acionam os refletores de quadras de esporte apenas quando elas estão em uso à noite.

A Eletrobrás continua apostando na energia de fontes alternativas. No Proinfa, programa do governo que garante a compra da energia de fontes alternativa por um preço capaz de viabilizar os projetos, 3.300 megawatts deveriam estar disponíveis até 2008, mas somente o terço (1.100 MW) provenientes de pequenas centrais hidrelétricas está efetivamente assegurado. Os projetos de usinas de biomassa e usinas eólicas (movidas pelo vento) não saíram do papel.

Banner Revistas Mobile