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REAJUSTE DO ÁLCOOL PARA CARRO PODE ATINGIR 10%

Os donos de carros a álcool podem ir se preparando para pagar mais pelos combustíveis a partir de janeiro, quando começa a entressafra da cana-de-açúcar, matéria-prima do açúcar e do álcool. A alta dos preços do álcool hidratado — vendido nos postos — não será de até 30% como no primeiro trimestre de 2006, mas pode chegar a 10% na bomba, de janeiro a abril, em relação aos valores que estão sendo pagos agora, prevê o coordenador de Índices de Preços da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

— Toda entressafra tem aumento dos preços do álcool, que puxam também os da gasolina. Na última entressafra, porém, a alta foi excepcional — comenta Quadros.

O primeiro sinal de que os preços dos derivados da cana-de-açúcar começaram a se recuperar foi dado pelo Índice Geral de Preços (IGP-10) de dezembro. O álcool hidratado avançou 0,7% no atacado, depois de uma queda de 2,26% no mês anterior, o dobro da variação do IGP-10, de 0,47%. Já os preços do álcool anidro caíram 1,23% no atacado, bem menos que os -7,97% de novembro. De um mês para o outro, o açúcar cristal também saiu de um recuo de 8,39% para -1,76%.

— A produção respondeu bem ao aumento do consumo interno e externo de álcool — afirma Marta Marjotta, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (Cepea) da universidade de São Paulo (USP).

Apesar de a frota nacional de carros bicombustíveis ter atingindo um milhão de veículos em agosto, ampliando a procura pelo produto, a demanda externa não cresceu tanto quanto era esperado, informa o vice-presidente da Associação Comercial do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Além disso, os preços do açúcar no mercado internacional estabilizaram e não estão pressionando os do álcool, como aconteceu no fim de 2005, reforça o diretor das usinas Santa Cruz e Campos dos Goytacazes, Aristóteles Cardoso.

Com o mercado mais equilibrado, o governo autorizou em novembro o aumento de 20% para 23% na proporção de álcool anidro misturado à gasolina. Os produtores alegam ter estoques suficientes para nova ampliação, para 25%.