Mercado

Presidente critica ONU e OMC

Como tem feito em outras viagens ao exterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou um discurso, ontem, em Burkina Faso, para criticar as atuais estruturas do Conselho de Segurança da Organização das Unidas (ONU) e da Organização Mundial do Comércio (OMC). Essas estruturas, segundo ele, precisam ser mudadas. “É preciso corrigir urgentemente essa distorção.”

Lula comentou que 130 dos 192 países integrantes das Nações Unidas são da África, da América Latina e da Ásia, mas essas nações não estão adequadamente representadas no Conselho de Segurança da organização. Sobre a OMC, Lula disse que o G-20 (grupo de países em desenvolvimento) precisa continuar trabalhando para que os agricultores das nações pobres possam ser competitivos no mercado internacional.

“Nas negociações comerciais multilaterais, estamos juntos na luta contra os subsídios dos países ricos. Burkina Faso (…) atua na OMC em sintonia com o G-20, no combate aos subsídios aos produtores de algodão nos países desenvolvidos. Tais subsídios deprimem os preços do produto no mercado internacional e ferem diretamente a economia de países pobres da África”, declarou o presidente brasileiro.

Segundo Lula, a aproximação entre os dois países já começa a ter reflexos no comércio bilateral. “Mas as cifras ainda estão muito abaixo do que podemos almejar. (…) A área monetária comum desse bloco africano oferece valiosas lições.”

Além de pedir o fim dos subsídios agrícolas, o presidente anunciou um acordo de transferência de tecnologia para os produtores de algodão de Burkina Faso desenvolverem outros tipos de algodão mais resistentes ao clima quente do país.

Biocombustíveis

O presidente Lula também convidou autoridades e empresários da África a participarem do projeto de biocombustíveis. Ele disse que os biocombustíveis democratizam o “acesso à energia sustentável”.

“Ao mesmo tempo, estaremos combatendo o impacto do aquecimento global, que atinge desproporcionalmente os países mais pobres. E, isso, sem colocar em risco a segurança alimentar. É o que demonstra a experiência do Brasil”, afirmou durante um seminário .

O presidente Lula voltou a defender a expansão dos biocombustíveis na abertura de um encontro empresarial. “O álcool e o biodiesel são a alternativa energética para um planeta ameaçado pelos efeitos da mudança climática e pela alta no preço do petróleo. Para países pobres, essa aposta representa geração de empregos e renda, autonomia energética e aumento de exportações.” (AE e FP)

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