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Preço sobe e usinas dobram fixação futura de açúcar

A alta acentuada das cotações do açúcar na Bolsa de Nova York (Nybot) na semana passada acelerou as fixações de preço da safra 2009/10 pelas usinas e tradings. O volume precificado, que estava em 12% a 15% até a primeira semana de janeiro, quase dobrou para 25%, o equivalente a 8,8 milhões de toneladas, segundo a consultoria Datagro.

A libra-peso, que estava em 12,81 centavos de dólar no dia 21 de janeiro, valorizou-se 3% em sete dias para US$ 13,20. No entanto, a perspectiva de preços mais vantajosos por causa da previsão de déficit mundial, e a falta de crédito para as operações de hedge (proteção de preço) em bolsa ainda limitam mais negócios. Na mesma época de 2008, mais de 90% do excedente exportável estavam com preços fixados.

Plínio Nastari, presidente da Datagro, informa que o volume precificado até agora foi feito a valores próximos de 13,4 centavos de dólar por libra-peso na tela, ou seja, sem considerar os descontos na contratação da mercadoria.

O valor está remunerando bem acima do custo de produção que, segundo a Datagro, está próximo de 10,7 centavos de dólar por libra-peso – FOB (posto no porto) a um câmbio de R$ 2,32. “As notícias de déficit na balança comercial não ajudam o Real a se valorizar. Por isso, não vejo muita perspectiva de o dólar voltar a cair”, afirma Nastari.

Ele acredita que nas próximas semanas essas fixações devem avançar, apesar das taxas de juros atuais estarem o triplo das ofertadas antes do agravamento da crise. “As linhas de financiamento dessas operações de hedge estão voltando aos poucos, mas a juros muito mais elevados. Antes da crise estavam entre 6% e 8% ao ano, custo que cresceu 24%”, compara Nastari.

A estimativa da consultoria é de que na safra 2009/10 o Brasil tenha um excedente exportável de 23,4 milhões de toneladas (66,4% da produção estimada de 35,2 milhões de toneladas), sendo 20,7 milhões de toneladas no Centro Sul (75,2% da produção estimada de 31,1 milhões de toneladas).

Arnaldo Luiz Corrêa, da Archer Consulting, acredita que, até o momento, a fixação da safra de açúcar 2009/10 está próxima de 20%. “Na última semana, houve clara movimentação de usinas com fixações. Fala-se que 400 mil toneladas foram feitas aproveitando as recentes subidas”, afirma Corrêa.

A falta de crédito e a aversão ao risco justificam o fato de o volume não ter avançado mais, apesar dos preços atrativos. “Falta linha de crédito para as usinas operarem contratos futuros diretamente, e tradings não querem se arriscar, por isso, limitam as fixações”, detalha Corrêa.

Desde a forte volatilidade do açúcar na Nybot nos primeiros meses de 2008 – que provocou necessidade de depósito de valores altos para cobertura de margem – as tradings estão mais receosas em precificar grandes volumes em bolsa com muita antecedência. Antes da crise, explica Corrêa, os contratos com as usinas – e consequentemente a fixação em bolsa – eram feitos com até um ano de antecedência, período que foi reduzido para 90 a 180 dias.

Ontem, o contrato com vencimento em maio teve leve recuo de 0,84% fechando em 12,95 centavos de dólar por libra-peso. (Fabiana Batista)

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