Mercado

Preço pode transformar a soja em combustível

Se há risco de o óleo de mamona ser desviado do biodiesel para aplicações industriais tradicionais, com o óleo de soja a preocupação é a inversa. Também por causa do preço, teme-se que ele troque a indústria alimentícia pelo biodiesel.

Em 2004, 81% do óleo vegetal produzido no mundo foi destinado à alimentação humana, 10% à indústria oleoquímica, 6% a ração animal e apenas 3% ao biocombustível, segundo a Oil World. Em 2008, a organização estima que a fatia da alimentação humana caia para 78%, enquanto a do biocombustível deve dobrar para 6%.

“O setor alimentício contra o mineral é uma luta de Davi contra Golias”, alerta Marcello Brito, diretor comercial da Agropalma. Para Arnoldo Campos, coordenador do Programa de Biodiesel, o Brasil não corre risco por causa da diversificação.

Ao lado da mamona e do dendê, o biodiesel terá outras matérias-primas, como pinhão manso, caroço de algodão, girassol, nabo forrageiro, sebo e até óleo de fritura. Campos argumenta ainda que o óleo de soja, a principal matéria-prima de biodiesel, tem sobrado no Brasil. A produção é dirigida para a venda de farelo, que representa 80% do grão. O óleo, 19% do grão, é resíduo da produção de farelo.

Campos acredita que nem haverá aumento da área de cultivo. “Quem está entrando no biodiesel com óleo de soja já tem o produto”, diz. “Só estará lhe dando valor agregado maior.”

“Não vamos reduzir uma vírgula da nossa participação no mercado alimentício, mas aproveitar a ociosidade”, confirma Juan Diego Ferres, sócio diretor industrial da Granol, que está investindo R$ 120 milhões em capacidade instalada de 240 milhões de litros de biodiesel. A Agropalma também não vai trocar de setor. “Achamos isso loucura”, diz Brito. L.S.

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