Mercado

Preço do álcool sobe na bomba e na usina

Um mês após o acordo do governo federal com os usineiros, que fixou o teto de R$ 1,05 para o litro do álcool na usina, os preços pagos aos produtores no Estado de São Paulo voltaram a subir e encostaram no preço máximo.

Para os consumidores, o preço médio praticado em todo o Brasil na bomba apresenta alta pela segunda semana consecutiva.

O objetivo do acordo firmado em 11 de janeiro era estancar a alta no preço do álcool nas usinas, mas já na época não havia certeza de redução para o consumidor.

Na última semana, o preço médio do álcool hidratado no país -comercializado na bomba- subiu 0,46%, passando para R$ 1,743, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Já o preço da gasolina ficou praticamente estável, com ligeiro avanço de 0,08%, para R$ 2,501.

Para Hélio Fiorin, diretor do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), os consumidores estão pagando mais caro, na média, pelo álcool porque, com o aumento da fiscalização contra as fraudes, os postos, que antes vendiam combustível adulterado, estão vendendo um produto de melhor qualidade e, conseqüentemente, pagando um preço mais alto por ele.

Assim, segundo Fiorin, os reajustes estão ocorrendo devido ao repasse dos aumentos dos custos dos postos para o consumidor.

Em São Paulo, segundo a ANP, o consumidor pagou 0,26% mais caro pelo álcool, que, na média, subiu para R$ 1,528 o litro na semana passada. Mesmo assim, o Estado continua com o preço mais vantajoso para o álcool entre todos os Estados do país.

Por outro lado, no Rio de Janeiro, o álcool ficou mais barato. O preço médio do litro caiu de R$ 1,879 para R$ 1,875.

Acima do teto

A agência de notícias Reuters informou que corretores afirmaram ter havido ontem negócios nas usinas com o valor acima do teto acordado com o governo.

Segundo a agência, dois corretores de São Paulo disseram que o álcool hidratado foi negociado a R$ 1,08 livre de impostos. Um outro corretor, segundo a Reuters, disse que houve negócio com o anidro ontem a R$ 1,11 o litro, com PIS/Cofins.

Segundo levantamento semanal realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), órgão da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP, na semana passada, o litro do álcool anidro na usina teve aumento de 2,2%, após ter ficado praticamente estável na semana anterior (-0,01%).

O álcool anidro foi negociado, em média, a R$ 1,04623, sem impostos, na semana passada, contra R$ 1,08401 na primeira semana deste ano. Assim, desde o acordo entre o governo e os usineiros, o preço apresenta queda de 3,5%.

O álcool hidratado também subiu 2,2% na semana passada, para R$ 1,03793 o litro, sem impostos. Esse álcool já é negociado nas usinas paulistas 0,3% mais caro que na semana anterior ao acordo.

O álcool anidro é o usado na mistura com a gasolina e é isento de tributação na venda pela usina aos distribuidores. Já o hidratado é o usado nos veículos movidos a álcool e tributado na venda.

Em nota, ontem, a Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo) informou que “é precipitado afirmar que os preços do álcool anidro e do hidratado romperam os limites acordados com o governo”.

A nota da Unica cita os preços do Cepea da semana passada e informa que uma consulta feita ontem ao órgão indica que há sondagem de negócios acima desses patamares, porém não teriam sido concretizados.

Ainda segundo a nota, a Unica afirma que continuará a monitorar o mercado para avaliar o que está efetivamente ocorrendo neste momento de entressafra.

Segundo Mirian Bacchi, pesquisadora do Cepea e professora da Esalq, “o aumento da demanda em relação à oferta foi o que causou a alta do preço do álcool nas usinas na semana passada”.

Segundo Bacchi, os preços estão sendo praticados dentro do teto estabelecido e a recente alta não é preocupante por estarmos no final da entressafra e a cerca de um mês do início antecipado da colheita de cana-de-açúcar, que normalmente se inicia em maio.

A antecipação da colheita também foi acertada no acordo entre o governo e os usineiros para garantir o abastecimento.

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