Mercado

Preço do álcool ameaça acordo

A forte demanda por álcool nos mercados interno e externo pode ter provocado ontem a quebra do acordo que os usineiros fecharam com o governo federal no final do ano passado. Na negociação, eles se comprometeram a vender o álcool anidro (sem impostos) a no máximo R$ 1,05 o litro. Segundo uma fonte ligada a um grupo de usinas, o preço superou esse valor e chegou a ser negociado a R$ 1,08.

Na última sexta-feira, o preço do álcool anidro apurado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) — responsável pelo levantamento do valor negociado no mercado —, chegou a R$ 1,04623 por litro, com aumento de 2,2%.

De acordo com Miriam Bacchi, pesquisadora do Cepea, alguns negócios foram sondados acima do limite de R$ 1,05, mas não foram efetivados. “Se houve algum negócio, foi em volume tão pequeno que não dá para considerar como mercado”, afirmou.

Pressão — Já o diretor-presidente da corretora Bioagência, Tarcilo Ricardo Rodrigues, afirmou que pequenas distribuidoras pressionam o setor desde a última semana e oferecem preços acima do limite acertado. “Só que eu tenho meus clientes cativos, vou cumprindo o acordo até quando tiver o combustível”, disse. “Enquanto isso, distribuidoras pequenas continuam tumultuando o mercado e oferecendo preços maiores”, completou Rodrigues.

O diretor-técnico da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, afirmou que é precipitado dizer que o setor não está cumprindo o acordo. Mesmo assim, Pádua reconheceu ser “impossível” neste momento tentar averiguar se houve ou não a venda de álcool acima do preço fixado pelo governo. O setor vai avaliar hoje a situação e se pronunciar novamente em relação ao assunto.

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