Mercado

Preço desacelera com redução de álcool na gasolina

A redução da mistura do álcool anidro à gasolina já surte efeito nos preços praticados nas usinas de São Paulo. A opinião é da professora Miriam Bacchi, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), ao comentar os resultados do levantamento feito na semana passada (27 de fevereiro e 03 de março) pelo Cepea nas usinas do estado que é responsável por 75% da produção nacional de álcool combustível.

O levantamento mostra que os preços subiram pela quarta semana consecutiva, mas esses aumentos foram menores que os da semana anterior (20 a 24 de fevereiro), quando o litro do álcool anidro subiu 7,1% e o hidratado, 7,5%. Na semana seguinte, 27 de fevereiro e 3 de março, o litro do anidro subiu 2,4%, passando de R$ 1,14934 para R$ 1,17688, e o do álcool hidratado, descontados os impostos, subiu 4,1%, de R$ 1,15300 para R$ 1,20038.

A diminuição do ritmo de alta ocorre na semana em que passa a valer a redução da mistura de 25% para 20% do álcool anidro na gasolina e tem oficialmente início a safra 2006/2007. “Os indicadores demonstram que a medida de reduzir a mistura começa a surtir efeito porque houve um arrefecimento das variações de alta”, diz Miriam, que é especialista no setor sucroalcooleiro.

Segundo ela, a situação pôde ser mais sentida no preço do anidro, cujo índice de alta caiu sensivelmente. “O que aconteceu com o anidro, que subiu bem menos que na semana passada, é uma mostra do efeito da redução da mistura”, afirma. De acordo com a pesquisadora, apesar de os negócios terem sido poucos na semana passada, porque as distribuidoras estavam abastecidas com as compras feitas antes do carnaval, queda do ritmo de alta de preços é expressiva, mas sua continuidade será melhor avaliada a partir de quinta-feira quando o mercado deverá registrar um maior volume de negócios.

Outro fator para forçar a redução de preços está no que os especialistas dizem acreditar ser as últimas semanas da entressafra, isso porque pelo menos dez destilarias de álcool de São Paulo devem iniciar a nova safra até o final de março. Além disso, de acordo com a União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica), até o final de abril, o mercado deverá receber entre 850 milhões e 900 milhões de litros de álcool, o que deverá reduzir ainda mais as expectativas de alta dos preços e aumentar a oferta do produto.

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