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Por enquanto, alta na gasolina não deve impactar inflação

Apesar da perspectiva de elevação no preço da gasolina, por conta da alta do álcool e da redução de adição desse produto à mistura no combustível, poucos analistas revisaram suas projeções para o IPCA de 2006. A da Consultoria LCA, por exemplo, foi mantida em 4,6%. Por quê? Os analistas consideram que a alta no preço da gasolina será compensada. Para a LCA, pela redução no IGP-M esperado para o ano – que passou de 5% para 4,7% -, em razão da revisão para baixo da curva de câmbio para 2006 projetada por eles. Isso implica, por exemplo, reajustes menores para energia elétrica e telefonia no IPCA, ressaltam. Além disso, conta a expectativa de uma evolução mais favorável dos preços de bens comercializáveis.

Também o Credit Suisse trabalha praticamente com os mesmos números. Calculam que a alteração de 25% para 20% na mistura do álcool anidro à gasolina deve trazer um incremento de apenas 0,06 ponto porcentual à inflação pelo IPCA, em decorrência de um aumento de 1,3% no litro da gasolina. Isso porque o preço da gasolina na bomba reflete não apenas o preço da gasolina na refinaria e o preço do álcool anidro, mas também os custos de distribuição e revenda e as tributações da Cide, PIS/Cofins e ICMS. Acreditam que esse porcentual será compensado pelo cenário benigno esperado para a inflação nos preços dos alimentos este ano. E, também, por uma desaceleração na inflação sazonal dos bens duráveis e serviços, o que já pôde ser visto no IPCA 15 de fevereiro.

Têm duas alternativas para a manutenção do preço do combustível, mesmo após a alteração na composição. Primeiro, uma diminuição de R$ 0,03/litro da alíquota da Cide sobre a gasolina, atualmente em R$ 0,28/litro. Segundo. Redução do preço da gasolina na refinaria em 2,8% e que faria com que o preço do combustível ficasse inalterado nos postos. Hoje, o preço da gasolina na refinaria está 10,7% inferior ao preço negociado no mercado internacional.

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