Mercado

Plantadores de cana expandem negócios com alta do açúcar

Os pesados investimentos feitos na construção e reativação de novas usinas e a migração da atividade sucroalcooleira, concentrada atualmente sobretudo no Estado de São Paulo – responsável por 60% da produção nacional – estão criando novas oportunidades para os plantadores de cana do país.

A maior demanda por combustíveis alternativos por conta da diminuição das reservas de petróleo no mundo, o interesse em co-geração de energia por meio do bagaço da cana e o sucesso dos veículos flex fuel criam um cenário positivo para o avanço do setor sucroalcooleiro do país.

Osvaldo Alonso, diretor da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste de São Paulo (Canaoeste), diz que os plantadores tradicionais devem acompanhar a expansão das usinas, migrando para as novas fronteiras abertas para o setor canavieiro. Minas Gerais e Centro-Oeste são dois grandes pólos de expansão deste setor. “As famílias dos plantadores apostam nesta expansão”, afirma. Alonso participou do seminário “Desafios e Oportunidades de Negócios, Investimentos e Estratégias de Comercialização no Mercado de Açúcar e Álcool”, realizado pelo IIR (Institute for International Research), no dia 27 de janeiro em São Paulo.

Alonso disse que uma das principais preocupações dos fornecedores, no momento, é buscar linhas de crédito com taxas mais atraentes junto ao governo para acompanhar a expansão das usinas do Centro-Sul.

Segundo ele, é possível crescer em cana no país, uma vez que o potencial para áreas agrícolas ainda não se esgotou no país. A área de cana hoje ocupa cerca de 6 milhões de hectares no país.

Depois de um ano de discussões, os plantadores e indústrias chegaram a um acordo sobre a remuneração pela matéria-prima. Na safra 2005/06, que se encerra em abril, os fornecedores de cana deverão receber, em média, R$ 42,50 por tonelada pela matéria-prima entregue às usinas nesta safra, alta de 19,7% sobre a média da safra 2004/05, de R$ 35,50.

Segundo Alonso, o reajuste no pagamento da matéria-prima reflete a valorização dos preços do açúcar e o do álcool nos mercados doméstico e internacional, além das negociações entre as indústrias e os plantadores sobre a mudança no atual modelo de pagamento, o Consecana. Depois de quase um ano de discussões, a cadeia produtiva concordou em rever os critérios de pagamento da matéria-prima. “Houve um aumento expressivo nos custos de produção, sobretudo com insumo”, afirma.

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