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Petrobras e Ufsc pesquisam biodiesel de microalgas

O Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) firmou parceria com as universidades federais de Rio Grande e de Santa Catarina para pesquisar a produção de biodiesel a partir de microalgas que vivem nas águas salinizadas do litoral do norte e na água proveniente de produção de petróleo do Pólo Industrial de Guamaré.

Cerca de 40 espécies de microalgas já foram coletadas e catalogadas. A quantidade é pequena, perto das 300 mil existentes no mundo. Destas, apenas 30 mil já foram identificadas. De acordo com o Cenpes, nem todas as espécies catalogadas servem como matéria-prima para a produção de biodiesel.

As microalgas se reproduzem de 50 a 100 vezes mais rápido do que os vegetais utilizados normalmente para produção de biocombustíveis, como cana-de-açúcar, mamona, dendê e milho. O mesmo ocorre em laboratórios, mantidas as condições ideais para a reprodução.

Os primeiros experimentos para verificação do desempenho e da produtividade das espécies coletadas foram realizados nos laboratórios do Departamento de Oceanografia da Furg.

Simultaneamente, amostras de água foram submetidas a análise nos laboratórios de química da Universidade de Rio Grande, para verificar os possíveis efeitos positivos e negativos causados pela atuação das microalgas selecionadas.

O passo seguinte foi encaminhar as microalgas para o Laboratório de Química Orgânica da Furg, para as etapas de extração de lipídios, síntese, purificação e caracterização química do biodiesel, obtidos por meio de modernos equipamentos de análises químicas.

O processo de produção de biodiesel a partir de microalgas é realizado com a coleta de uma amostra de água salinizada em um tubo de ensaio. O tubo é fechado e levado ao laboratório, onde é colocado em uma estufa com temperatura e iluminação adequadas para manter as algas vivas.

Em seguida, ocorre o isolamento e identificação das espécies, geralmente por meio de mapeamento genético. É um trabalho cuidadoso, pois muitas algas contêm toxinas que as tornam impróprias para a produção do combustível.

Depois de isoladas, as diferentes espécies de microalgas são levadas a um tanque cheio de nutrientes para que se reproduzam. As melhores serão as que se reproduzirem mais rapidamente e tiverem maior teor de óleo. Após quatro dias, vão à secagem. Depois de secas, são embaladas para evitar seu contato com a luz e o oxigênio do ar.

Na última etapa do processo, as microalgas secas são colocadas em um reator, que realiza dois processos distintos: a extração do óleo que será utilizado na fabricação do combustível e a transformação deste óleo em biodiesel, por meio de reações químicas.

O resultado normalmente fica em torno de 10% a 20% do total de matéria-prima utilizada. Ou seja, para produzir um litro de biodiesel, são necessários cerca de cinco quilos de microalgas.

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