Mercado

Para usineiros, falhou a tentativa de segurar preço

A União da Agroindústria Canavieira (Unica), associação das usinas de açúcar e álcool, informou oficialmente ao governo ontem que fracassou na tentativa de segurar o preço do álcool no limite definido em janeiro. O setor havia aceitado vender o combustível a um valor-teto de R$ 1,05 por litro de álcool anidro e de R$ 0,95 para o hidratado, preços sem impostos.

Segundo a entidade, é iminente a possibilidade de desabastecimento de álcool no País se o preço for mantido a R$ 1,05. A associação de usineiros teme agora medidas mais duras do governo para enquadrar o preço abaixo do limite. Não é possível saber o que o governo irá fazer neste momento, disse ontem o secretário-geral da associação, Fernando Moreira Ribeiro.

A Unica também acrescentou que não pode mais frear a escalada de preço do álcool até o fim da entressafra, previsto para 30 de abril. A avaliação indica que o preço tendea subir ainda mais agora, após o rompimento do acordo negociado com o governo Lula. A Unica e o governo sabiam das dificuldade em segurar o preço. Foi apenas um acordo conversado. As forças do mercado foram maiores que a capacidade de impedir os aumentos, disse Ribeiro.

Mas há mais coisas do que apenas a forte demanda por álcool. Pesou sobre o setor a avaliação de que a intervenção governamental provocou perda de receita no período em que o acordo estava em vigor. A estimativa é de que, com a definição de um teto, o setor deixou de faturar de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões, afirmou o secretário-geral da Unica.

O acordo foi criticado por parte dos usineiros. E até mesmo na reunião com os ministros Roberto Rodrigues (Agricultura) e Dilma Rousseff (Casa Civil), houve uma divisão entre as usinas.

A prova de que o acordo havia ruído veio na sexta-feira. O indicador de preço do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostrou que o litro do anidro foi negociado, na média, a R$ 1,07279, (alta de 2,54%), e o hidratado a R$ 1,07213 (alta de 3,3%).

O comportamento do mercado chegou a criar uma situação inusitada. As usinas conseguiram na semana passada 5% mais rentabilidade na venda do álcool hidratado em relação ao anidro. Essa situação é rara no mercado. No início da semana passada, circulou a informação no mercado de que algumas usinas já haviam quebrado o acordo selado entre o governo e o setor. Vendiam álcool acima do preço.

De acordo com um usineiro, que também está no Conselho da Unica, a situação criou polêmica até mesmo entre os diretores da entidade. Um dos maiores empresários do setor considerou um tiro no pé admitir ao governo a quebra do acordo e ainda dizer que não há garantias de abastecimento.

ESTOQUE

Em 31 de janeiro, os estoques de álcool eram de 2,75 bilhões de litros. A demanda interna e para exportação em fevereiro, março e abril é de aproximadamente 3,4 bilhões de litros. Em reunião do conselho da Unica na semana passada, o setor não conseguiu fechar as contas de que conseguirá produzir 850 milhões de litros, ou mais, de álcool entre 20 de março e 15 de abril, o que evitaria um colapso no abastecimento de álcool no Centro-Sul do Brasil.

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