Mercado

Para Brasil, mudar acordo automotivo é ´retrocesso´

O governo classificou de retrocesso indesejável a proposta argentina de restringir o comércio de veículos entre os dois países. A afirmação foi feita ontem pelo secretário do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Antonio Sérgio Martins Mello, em nota à imprensa. No documento, o negociador brasileiro diz que tal medida seria um sinal negativo para o exterior, prejudicaria as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e com a União Européia, além de atrapalhar o fluxo de comércio entre os dois países num momento de aquecimento econômico.

Segunda-feira, representantes do Brasil e da Argentina se reúnem em Buenos Aires para tratar dos rumos do acordo automotivo. O país vizinho vai brigar para aumentar a restrição às vendas de veículos brasileiros, por meio da redução do chamado Flex, o mecanismo que regula o comércio de veículos entre os dois países no atual acordo automotivo. Atualmente, o Flex está em 2,6, o que significa que a cada US$ 100 que Brasil importa em veículos argentinos, US$ 260 podem ser exportados para aquele país sem que o produto brasileiro pague imposto de importação. Os argentinos querem também estabelecer um Flex diferenciado para cada montadora, sem ter um índice para o setor.

A Argentina acha que está sendo prejudicada pelo atual acordo. Por isso, insiste em restringir ainda mais o comércio bilateral, quando na verdade o que deveria estar em pauta é o livre comércio de automóveis entre os dois países.

Questão Conjunturial

Pelo acordo automotivo, a partir de 2006 o mercado deveria estar totalmente aberto. Representantes do país vizinho, porém, não querem nem discutir esse assunto. Atualmente, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 63% dos veículos vendidos no país vizinho são brasileiros, enquanto no Brasil apenas 2,8% dos automóveis comercializados são originários da Argentina.

Para o governo brasileiro, essa é uma questão conjuntural, reflexo da queda no poder aquisitivo dos argentinos, que preferem comprar os carros compactos brasileiros em vez dos médios e esportivos produzidos lá.

Além disso, acrescenta a nota do ministério, os vizinhos têm dificuldade em vender seu produto no Brasil, já que os brasileiros também privilegiam automóveis pequenos – e, no caso dos médios e esportivos, a população prefere os carros nacionais, que têm opção bicombustível e taxa menor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O Brasil acredita que a prorrogação do acordo nos moldes atuais, sem ampliar as restrições, seria interessante para os dois países.

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