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Palha da cana não é mais destino

Dos efeitos do novo processo de industrialização que Pernambuco começou a experimentar nos últimos anos, talvez o mais impactante seja o da transformação que ocorre no setor de mão de obra. Pelo desafio colossal que será treinar gente em tão pouco tempo a fim de responder às necessidades das novas empresas, mas pelo resgate que o emprego nelas pode significar para as pessoas da terra.

Muitos ficarão fora do processo. Parte poderá ser salva por arrojados programas de capacitação capazes de forçar uma melhoria de sua escolaridade. E outros serão os beneficiários das melhores oportunidades. Mas uma parte será protagonista de mudanças radicais. Até pelo estado de exclusão ao qual sempre estiveram condenadas.

Pernambuco é um laboratório importante nesse processo, pois aqui a existência de uma atividade como agroindústria sucroalcooleira em 500 anos não foi capaz de provocar melhoria da população rural. Não que, como atividade econômica, não fosse importante e competitiva, inclusive, internacionalmente. Mas não foi capaz de distribuir riqueza. Esse é um fato histórico. O problema é que nos extremos a produção de cana-de-açúcar gerou flagelos. Daí porque emociona a reportagem que Adriana Guarda e Felipe Lima deste JC trazem sobre os ex-trabalhadores da palha da cana. Não só porque mostra que a contratação da força de trabalho terá que ter novas abordagens por parte das empresas, mas porque até os movimentos sociais terão que mudar estratégias. Agora, o ex-canavieiro simplesmente quer distância dos dois.

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