Mercado

Os plantadores de cana e usineiros se estabelecem à custa do sangue dos outros

A produção e a exportação brasileiras de açúcar nunca foram tão grandes. Há mais de 20 anos não se ganhava tanto dinheiro com essa cultura.

De pronto, a notícia parece ser triunfal… Mas, enquanto isso, 13 trabalhadores morreram durante o corte da cana, 10 deles apenas nos últimos dois anos – sem contar os tantos cortadores aposentados por invalidez. O piso salarial do cortador é R$ 330. Só que os salários dependem da produtividade individual, pois a cada tonelada de cana cortada ganha-se R$ 2,50 a mais. Muitos chegam a 20 toneladas por dia (o último que morreu cortara 19), ou seja, um trabalhador enche sozinho um caminhão de cana! Isso poderia ser aceito com normalidade não estivéssemos no século 21 e com tanta tecnologia empregada na agricultura. Acho que os plantadores de cana e usineiros estão agindo com muita mesquinhez.

Eles se estabelecem à custa do sangue dos outros. E sem remorsos, pois os cortadores são contratados por intermediários (gatos), inexistindo qualquer tipo de relação direta entre empregado e empregador. O que, afinal, anda fazendo a Justiça do Trabalho a esse respeito?

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