Mercado

Oferta de cana menor que a prevista

As principais consultorias especializadas em açúcar e álcool do país concordam em um ponto: a safra 2005/06 de cana-de-açúcar do Brasil será menor que a projetada no início do ano por conta do clima seco, que prejudicou o desenvolvimento da matéria-prima nas principais regiões produtoras do país. As divergências entre essas consultorias, contudo, giram em torno do tamanho da safra.

A Job Economia reviu seus números para a safra 2005/06 e reduziu suas estimativas de produção de cana para o Centro-Sul de 364 milhões para 357 milhões de toneladas. Em relação à safra passada, a produção será 8,8% maior. A Datagro trabalha com uma produção de 353 milhões de toneladas. A Unica (que representa as usinas) estima volumes entre 345 milhões e 350 milhões de toneladas.

A quebra da produção de cana no Brasil reforça a tendência altista para os preços do açúcar no mercado internacional, em um momento que a demanda está aquecida para álcool. As usinas brasileiras estão destinando boa parte de sua produção de cana para o combustível, reduzindo a participação do açúcar. A Job prevê que a oferta de açúcar no Centro-Sul será de 24,2 milhões de toneladas, ante os 25 milhões previstos anteriormente, mas 9,5% acima da safra 2004/05. A produção de álcool na região será de 15,2 bilhões de litros, ante os 15 bilhões anteriores, 12,1% acima de 2004/05.

É neste clima otimista que empresários do setor sucroalcooleiro dos principais países produtores reúnem-se, na próxima semana, durante a 3ª do Sugar Week, no Brasil. O setor discutirá as perspectivas para 2005 e 2006.

No Brasil, as perspectivas para preços são igualmente otimistas. O aumento da demanda por açúcar e álcool, nos mercados interno e externo, indica uma entressafra com preços mais firmes que os atuais, disse Júlio Maria Martins Borges, da Job. Para o mercado externo, a Job prevê que as usinas do país exportem 19,3 milhões de toneladas de açúcar, 13,9% mais que em 2004/05, e 2,2 bilhões de litros de álcool, 13,4% menos que 2004/05.

Os preços firmes na entressafra refletem uma oferta apertada de açúcar e álcool no período, segundo Martins Borges. Os estoques de passagem de álcool para abril de 2006 estão estimados entre 400 milhões a 500 milhões de litros. Na safra passada, esses estoques estavam entre 300 milhões e 400 milhões de litros. Para açúcar, os estoques devem ser entre 300 mil a 400 mil toneladas, metade do volume da safra passada. “Mas não haverá problema com abastecimento porque a colheita tem sido antecipada.”

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