O governo brasileiro precisa adotar providências mais eficazes para mostrar ao mundo que os biocombustíveis não têm culpa pelo aumento dos preços dos alimentos. E a hora é agora, aproveitando-se as oportunidades abertas na reunião de Berna, na Suíça, na qual diretores da ONU, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio avançaram na discussão do problema.
Aspecto positivo do encontro foi o reconhecimento de que os biocombustíveis, em especial o etanol, não são os únicos fatores responsáveis pela redução da oferta de alimentos.
Apontaram-se causas muito mais caracterizadas e graves, como a falta de investimentos na agricultura, os subsídios da União Européia e dos EUA, as más condições climatológicas e a degradação ambiental. Também foi pertinente a criação, pela ONU e o Bird, de força-tarefa para combater a alta sem precedentes dos produtos alimentares.
Cabe à comunidade internacional atender ao chamado, contribuindo para a rápida adoção das medidas, dentre elas a doação de US$ 2,5 bilhões. Os recursos, gerenciados pelo Bird, aplicados não financiarão a agricultura de países pobres.
Outra proposta pertinente é o fim das restrições às exportações de alimentos. As medidas anunciadas na Suíça respondem à preocupação externada há tempos por Jacques Diouf, diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). É particularmente assustador o dado de que as reservas alimentares são suficientes para atender a uma demanda de apenas oito a 12 semanas.
Nada, porém, justifica que se virem todas as baterias contra o programa brasileiro do etanol. Nessa discussão, deve-se enfatizar dado da própria FAO: “O Brasil é o país com a maior área agricultável ainda disponível”. Este reconhecimento atesta nossa capacidade de conciliar produção de alimentos e biocombustíveis.
O governo não pode aceitar passivamente os ataques ao etanol. Seu preço mais baixo e menor grau de poluição configuram enfático diferencial competitivo.
Ademais, combustível mais barato também tem impacto no preço dos alimentos, inclusive no transporte da safra recorde de grãos que colheremos este ano.