A Crecera Finance Company iniciou hoje a retirada de 190 mil sacas de açúcar dos estoques da Usina Albertina, em Sertãozinho (interior de SP), parte do estoque de 354 mil sacas retido desde o início do processo de recuperação judicial da companhia sucroalcooleira, em novembro de 2008. A Crecera, que financia operações de exportações, obteve uma liminar com juíza Rebeca Mendes Batista Mazzo, da 1ª Vara Cível da cidade paulista, para a retirada do açúcar. A juíza é a mesma que analisa o processo de recuperação judicial da usina. A Crecera tem um crédito em aberto de R$ 15,78 milhões com a Albertina, com o açúcar dado como garantia real pela dívida. Caso a empresa venda as 190 mil sacas pela cotação de ontem no mercado interno, de R$ 47,18 a saca, obterá R$ 8,96 milhões, ou pouco mais da metade da dívida da Albertina junto à instituição. A operação de retirada quase foi impedida por funcionários da usina e representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Sertãozinho e Região, que queriam evitar a entrada do oficial de Justiça e dos representantes da Crecera. Só com o apoio da Polícia Militar, a entrada da usina foi liberada hoje pela manhã. Segundo a assessoria de imprensa da Albertina, a decisão judicial, que foi acatada, será alvo de recurso. A companhia informou ainda que as 164 mil sacas de açúcar restantes são suficientes para o pagamento da dívida com os cerca de 1,2 mil funcionários da usina, cujos últimos valores pagos foram R$ 200 em novembro e R$ 200 em dezembro do ano passado. No entanto, o volume só pode ser comercializado após um acordo no processo de recuperação judicial. Já os trabalhadores pretendem ir à Justiça para que esse açúcar restante seja liberado e vendido. “Simplesmente, muitos funcionários queriam ir embora e buscar outro emprego, mas não conseguem porque não podem ser demitidos em virtude da recuperação judicial”, disse José da Silva, presidente do Sindicato da Alimentação. Mesmo com a polêmica, a Usina Albertina confirmou ainda que segue negociando com os credores e deverá apresentar um novo plano de recuperação judicial no próximo dia 23 de abril. O primeiro plano foi derrubado pelos credores também por meios judiciais. A reunião para a divulgação do novo plano está prevista para as 11 horas, no Hotel Araucária Plaza, em Ribeirão Preto (SP), mas pode ser adiada para o dia 29 caso não haja o quórum de 50% dos credores e ainda que o total de presentes tenha mais da metade dos créditos a receber da usina. O passivo total da usina é de R$ 245 milhões e 170 mil toneladas de açúcar. Uma das propostas previstas é que os maiores credores passem a comandar a Albertina nas próximas duas safras, até o pagamento da dívida. Ainda está previsto o início da moagem da safra 2009/2010 no próximo dia 4 de maio, caso haja um acordo na assembleia dos credores.
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Liminar garante retirada de açúcar da Usina Albertina
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