Mercado

Interesse externo por açúcar sobe, mas foco ainda é local

As atividades para exportação continuam fracas no mercado brasileiro de açúcar, com as usinas continuando mais interessadas no mercado local, que remunera mais, disseram corretores nesta sexta-feira.

Mas houve recentemente um aumento nas indicações de interesse de estrangeiros, tanto no VHP quanto no cristal, e a expectativa é de que as compras reaqueçam com o fim do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, com a volta ao mercado de países do Oriente Médio e Norte da África, disseram.

Eles citaram ter visto interesse de Iraque (200 mil toneladas de branco), China, Egito (80 mil toneladas de bruto), Irã, Argélia e Marrocos.

Mas até o momento, essa retomada teve reflexo limitado no mercado de prêmios. O desconto para embarque imediato de VHP diminuiu um pouco, para a casa dos 20 pontos, ante mais de 30 até a semana passada.

Contudo, os negócios são pontuais e têm refletido situações específicas, segundo um corretor que observou esta semana um negócio para embarque imediato de açúcar 150 com desconto de 5 pontos. Segundo ele, o vendedor era uma trading, que estava com produto em estoque.

“Se for produto de origem nova, o comprador tem que pagar mais senão não tem negócio. O mercado interno está bem mais alto”, disse o operador.

A saca (50 kg, cor 150, com impostos) era negociada por cerca de 34,50 reais, valor praticamente estável frente à semana passada. O valor sustentado reflete os bons preços do açúcar no mercado futuro e também a proximidade do fim da safra no centro-sul.

Algumas usinas, principalmente no Paraná, já pararam a produção, e a expectativa geral no mercado é que a maioria no centro-sul paralise as atividades até o fim de novembro.

Alguns corretores comentam que, nessa fase final da moagem, com o aumento da ocorrência de chuvas, as condições tornam-se mais favoráveis à produção de álcool que de açúcar.

Além disso, a safra está atrasada no Nordeste, e a previsão é de uma produção não superior a 50 milhões de toneladas.

O álcool apresentou uma leve queda esta semana, mas o preço ainda segue remunerador e sustentado, disse uma corretora. O metro cúbico (mil litros) de anidro saía nesta sexta a 960 reais, cerca de 10 reais abaixo do praticado uma semana atrás.

“Esse é o nível em que saem alguns negócios, mas há ofertas (de venda) bem mais altas”, disse ela.

“Parece que o pessoal (usinas) está consciente que os estoques serão justos na entressafra e não tem pressa para vender”, acrescentou a corretora, que acredita nos preços variando numa faixa entre 950 e 1.000 reais pelos próximos meses.

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