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Inflação pelo IPCA-15 fica em 0,52%, mas preço do álcool aumenta 5,76%

A inflação medida pelo IPCA-15 entre os dias 14 de janeiro e 10 de fevereiro ficou em 0,52%, um pouco mais alta que os 0,51% de janeiro. O índice medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi puxado principalmente pelos reajustes de mensalidades escolares e das tarifas de ônibus (ver quadro). O álcool combustível, no entanto, subiu 5,76% devido ao repasse dos aumentos pelas distribuidoras.

Tanto o açúcar refinado quanto o cristal também tiveram forte alta, de 11,70% e 14,44%, respectivamente. Apesar disso, o grupo alimentos — que responde por cerca de 30% do índice — teve deflação de 0,40% no período.

Para a economista Marcela Prada, da consultoria Tendências, os reajustes do álcool começam a perder impacto e não devem pesar tanto nos próximos índices de inflação. O ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas concorda:

— A crise nos combustíveis é passageira. Ela não se sustentará por muito tempo, pois não há demanda — afirmou.

Marcela, por sua vez, ressalta que o IPCA-15 de 0,52% em fevereiro representa um recuo em relação ao IPCA fechado de janeiro (0,59%).

— A trajetória é favorável. Para o IPCA fechado de fevereiro estamos projetando 0,43% — disse a economista.

Segundo Carlos Thadeu, a alta dos índices de preços ao consumidor em janeiro e fevereiro não ameaça as metas do Banco Central. A Tendências chega a projetar um IPCA para 2006 de 4,1%, abaixo da meta de 4,5% fixada pelo BC.

O reajuste do salário-mínimo deverá ter um impacto de 0,28 ponto percentual no IPCA, estima o economista Carlos Thadeu de Freitas Filho, da UFRJ. Esse impacto será ao longo dos seis meses posteriores ao reajuste, que vai ocorrer em abril, explica o economista. Ele calculou o índice de repasse do aumento do mínimo para os salários dos empregados domésticos desde 2002 e projetou, para este ano, o impacto de 0,28 ponto percentual.

Inflação dos serviços deverá subir ao longo deste ano

Freitas Filho também estimou o efeito do mínimo para os preços dos serviços, em sua opinião mais influenciados pelo ritmo de crescimento econômico. Em 2005, a inflação dos serviços foi de 0,47%, na média mensal. Para este ano, ele prevê uma inflação de serviços de 0,68%, em média, a cada mês.

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